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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Era uma vez: Nem utopico nem proibido


Era uma vez um sol 
que havia se apaixonado pela lua.
Era uma paixão pelo seu contrario.
Equanto ele esquentava, ela esfriava.
Equanto ele bagunçava, 
ela acalmava.
Ele promovia o corpo, ela promovia a alma.
Ele queria ser o centro das atenções,
Ela, em certas fases, passava praticamente despercebida.

Mas ele enamorou-se, justamente pela quietude que ela o transportava.
Ele gostava de olhá-la e, mesmo quando se retirava a descansar, 
não exitava em admirá-la.

A lua também era enamorada do sol, gostava de sua força, 
de sua constante alegria que se contrapunha a sua não rara melanconia.
Algumas vezes, esse estado de enamoramento é assim tao ousado,
 assim tão explícito, 
que os dois se encontram… ao meio dia, e fazem noite de alegria
Não é uma relação assim tão discreta, mas não è uma relação pública.

Pois os dois não vivem mais que intenções.
Porque a lua sempre volta pra noite e o sol para o dia.


Nana Andrade


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Um sentimento hoje: Gratidão

Bom, hoje insiro aqui um post que pode ser encontrado também em outro Blog que tenho, que trata de algo, diria mais pessoal, porém resolvi publicar essa postagem aqui também, nao é um texto reflexivo como proponho geralmente mas trata de afetos e oferto a voces, esperem que gostem.
 ....

Todos os dias agradeço a Deus por cada coisa nova, cada lugar lindo, cada comida saborosa (rsrsrs) cada chocolate delicioso, 
cada vinho impecável, cada amigo que faço, cada palavra que aprendo, 
cada estímulo que recebo,
cada sol que surge no outono (dizem que há anos não tinha um outono assim tao bonito e caldo), 
agradeço, ainda, pela família maravilhosa que me acolhe. 
Agradeço pelos amigos brasileiros que tem me acompanhado virtualmente nesta viagem, aqueles dos quais sou segura que não gostariam de estar no meu lugar, 
mas de estar aqui também , é diferente. 

Agradeço pelo crescimento pessoal, profissional, acadêmico, agradeço por estar aqui no velho continente, mas agradeço por ser brasileira, como sou orgulhosa!! 
Não só do samba (também, e muito!!), não só do carnaval ( que gosto tanto), da paisagem,  mas da nossa alegria tao difundida no mundo inteiro, 
e também da nossa musica, da nossa dança (quer saber? Incluo o funk tb, não todos certamente!).

Agradeço a Deus por este momento no qual estou repensando tantas coisas, tantos valores, no qual estou descobrindo  um mundo fora, mas também um novo mundo dentro de mim.


Nana Andrade


  Pessoal, inseri palavras italianas para brincar um pouco, mas segue embaixo a tradução, mesmo que eu acredite seja desnecessário
Caldo: quente
Lezione: aula

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Auto conhecimento


Hoje, eu vou dizer exatamente o contrário do que dizia:
Se queres conhecer tua cidade, 
vá também a outras.
Se desejas conhecer seu estado, 
vá a outro extremo do país,
Se desejas conhecer sua cultura, seu país, 
visite e explore outros continentes.

Se queres conhecer você, saia de si mesmo!
Caso, porém, queira conhecer o mundo, 
aceita-te.

Nao é te enchendo de si mesmo que te encontrarás,
Antes, talvez seja exatamente no esvaziar de si  que se descobrirá.
.

Há quem prefira permanecer no seu mundo, no seu nicho, 
mas é no confronto que nos enriquecemos, que nos percebemos singular..


Nana Andrade

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Planejando a vida



Ele queria andar de bicicleta e aprendeu, quis nadar e aprendeu, quis estudar e estudou,
queria ser doutor e ganhar dinheiro. E ganhou.
Queria pegar as loiras, as ruivas e as morenas. Pegou!
Achou que fosse a hora de casar, casou. Planejou os filhos, queria um casal, vieram dois meninos.
Adotou uma menina.
Queria uma casa grande, comprou.
Queria uma velhice tranquila, retirou se para um sitio.
Queria gozar de boa saúde, mas adoeceu.
Queria viver, mas ja havia morrido

Ei você, também esta planejando a vida?*


*** E os olhares dos demais brilharam, acharam estupido pensar que poderia faltar alguma coisa...porque o desejo de amar e ser amado parece ser algo secundario,  e o que nao era visivel tb nao foi escrito...mas ele sabia de suas fantasias e angustias...porque pra "ter" pagou caro.

Nana Andrade

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O poder do outro

Não se pode medir a entrega do outro, não podemos saber o qualidade e quantidade de efeito que produzimos nos outros, ainda que sintamos um pouco.
Nao podemos medir o afeto que o outro nutre por nós.
Creio também que nem o nosso se pode medir. Somos tão confusos às vezes, nao é mesmo?
Mas, pra que medir?   
Ás vezes damos muito ao outro, sem dar o que é necessario, sem dar-lhe a possibilidade de oferecer.
A falta...ah! a falta, é preciso deixar faltar. E preciso se deixar faltar.
Ninguém tem poder por si mesmo, se não o que nós mesmos lhes pertimos ter.
Por vezes, criamos a algumas pessoas um altar, como aquele que criamos para nossos santos protetores, um altar grande e alto. Tão alto que nao alcançamos mais.
E adoramos...!!


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Nana Andrade

sábado, 22 de outubro de 2011

Fantasias

         O homem è um sujeito que está constantemente              fantasiando.
Fantasia nas relações amorosas, 
em projetos profissionais, nos ideais de felicidade.

Não creio que um homem deva viver sem fantasiar…

Mas a fantasia impede de ver o outro como é de fato,
 que a concretizaçao de um grande projeto tem também grandes desafios
e, que a felicidade não é o fim da tristeza.


Nana Andrade

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

The life is what you do



De tanto viver em guerra com minha vida, resolvemos,numa conversa civilizada,que eu não reclamo mais dela  ela não tenta me derrubar. No inicio ela parecia irredutível e em todas as formas de negociação,ela tinha algo contra, fiquei desanimada e começamos a discutir. Foi quando eu decidi que assim não conseguiriamos nada, e ela me perguntou: "Afinal , o que você quer de mim?". Eu quis responder: "Tudo", mas disse: "Todos os seus jeitos de me fazer feliz". Ela meneou a cabeça e sorriu ironicamente, como eu tive ódio dela nesse momento ! Será que ela não percebia o quanto eu estava ansiosa por resolver nossos problemas? Eu me lembrei da velha frase que diz que "momentos desesperadores pedem medidas desesperadas", e, literalmente , gritei da maneira mais insana que fui capaz: "Tudo bem, você venceu, eu jamais reclamarei de você de novo, eu farei com que seu trabalho seja mais fácil,eu serei mais flexivel, eu serei melhor, mas pare por favor de ir contra mim, eu não sou mais forte que você!" . De inicio ela me pareceu bastante perplexa, então, do nada soltou uma gargalhada e disse: "Vamos ver do que você é capaz, se cumprir o que acabou de me dizer, eu prometo ser boazinha com você. Mas nem tente não cumprir, minha revolta é algo que você com certeza não quer ver,nem sentir.". Achei realmente assustador, mas nada me parecia tão ruim como a forma que ela vinha me tratando,então assinamos um contrato imaginário, apertamos as mãos e nos demos as costas. E então, de repente, eu havia prometido à vida algo do qual eu não sabia ser capaz de cumprir, meu Deus, o que eu fiz? Foi grande a vontade de me virar e grita-la , para dizer que eu não estava preparada para isso, dizer que na verdade eu nem esperava que ela aceitasse meu acordo, quando eu o gritei desesperadamente e sem respirar. De fato eu me virei para chama-la mas ela não estava mais lá. Vi-me sozinha, nas minhas mãos; a responsabilidade de um contrato com a vida. Decidi , por fim, que eu teria, de alguma maneira, que cumprir aquilo que havia dito. E eu ainda estou tentando. Penso em desistir 20 vezes por dia, e me lembro de continuar tentando 21. Não tem como voltar atrás, e pra ser sincera, nem sei se gostaria, porque a vida também esta fazendo sua parte. E eu sei que da mesma maneira que é difcil para mim, para ela também esta sendo,ela é egoista,orgulhosa e tem uma personalidade bem dificil. Ela esta sendo honesta e justa comigo, então eu serei honesta e justa com ela. E por enquanto, está dando certo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Everybody Hurts Someday

É realmente inevitável nos machucarmos ou machucarmos alguem.
Em um dia de sol e céu azul, alguem pode te dizer algo que faça o sol perder o brilho e o dia ficar cinza. 
Em um dia cinza alguem pode dizer algo que deixe seu dia mais azul. 
E nesse mesmo dia cinza, alguem pode fazer cair uma tempestade cheia de raios e relampagos sobre você. Terrível essa perspectiva não? Infelizmente. Mas você já parou para observar quantas vezes você tem o pode de deixar o dia de alguem mais cinza ou mais azul? As vezes um sorriso faz alguem se lembrar de você o dia todo,mesmo que nem te conheça, você acabou de fazer o dia dela mais azul. Mas com essa mesma facilidade você pode fazer o mundo de alguem ficar escuro, com palavras , gestos, olhares e até mesmo a falta deles.
As pessoas machucam umas às outras com uma facilidade imensa,e muitas vezes por puro egoismo. Ou por falta de cuidado. Quando deviam dar um abraço, elas fazem uma critica, quando deviam sorrir elas fazem lagrimas rolarem. Todo mundo se machuca algum dia. Todos serão feridos, mas nem sempre as cicatrizes permanecerão, pois da mesma maneira que temos os causadores das dores e ferimentos, temos os bons corações que estarão sempre dispostos a nos curar. 











sábado, 15 de outubro de 2011

Who Are You ?

(foto : acervo pessoal da autora)
Hoje , quem eu sou?
Eu tenho estado presa, presa na pior das prisões: eu. Dentro de mim eu pareço estar querendo me segurar,me impedir de ir mais longe, me impedir de conseguir superar meus limites. Eu tenho sido um obstáculo,mas quem eu sou? Será que eu realmente sou um obstaculo para mim, ou eu estou apenas tentando ser por medo do que realmente sou? 
Não gosto de criar perfis para mim, mas também não gosto de não ser nada. Eu sou tudo que sou,um pouco de cada um, com quase nada de ninguem,e muito de mim.
Não adianta querermos ser mais do que somos, nem menos, o importante é ser. Seja como for, seja.
Pobre dos muitos que passam a vida inteira tentando descobrir quem são, e nessa tentativa interminável acabam por não ser quem são.
Então who you are? (quem você é?) 
Não é necessario que responda, nem que seja o mesmo que foi ontem, sendo verdadeiro, basta.







por : Damy(@onlydamy)

Explicando: como nossa Nana esta fazendo Um Intercambio Na Itália (<- clique), decidi não deixar o Afetos e Ofertas, abandonado. Então durante seis meses, eu estarei no comando (bate aqui o/ \o). Um beeijo :*

domingo, 9 de outubro de 2011

Auto-Afirmação



È bom e importante que as pessoas se auto afirmem, se posicionem, isso demosntra segurança e força de carater.

Porém, auto afirmar-se constantemente, na maioria da vezes, revela o contrário disso tudo. Pois é o modo que as pessoas encontram pra esconder a insegurança, o medo e a baixa auto-estima.

Penso que o ideal, se é que tem ideal, não è se auto afirmar, mas entender os motivos que nos levam a isso, è necessário se confrontar e ser sincero ao menos consigo mesmo…

Assim talvez cheguemos mais perto de nós.




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Nana Andrade

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E quando o sonho acaba?

E de repente tudo que você sempre sonhou está a sua porta, apenas te esperando.
Tudo pelo que você lutou te aguarda.
E de repente, o sonho vai morrendo, para se transformar em realidade.


O sonho sempre foi um apoio..e o apoio vai se desfazendo..
É como passar a noite esperando o dia e não saber o que fazer nele.


A realidade é a morte do sonho....então sua realização não deixa de trazer um bocado de luto. Até porque no sonho sempre vem um pouco ou um tanto de fantasia, e elas todas precisam morrer, porque do contrário a realidade não acontece, ainda que a realidade produza mais fantasias.


A concretização de um sonho pode ser para uns o deleite da conquista, mas para outros, a conquista sempre pede mais luta.


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Nana Andrade

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Cativar, cativar, o que é isso?




"O Pequeno Príncipe" é um dos meus livros favoritos, li e reli-o várias vezes, gosto principalmente da conversa dele com a raposa, que entendo ser o ápice do livro, mas a frase que todos mais gostam, ou, pelo menos, a mais famosa é a que mais me incomoda: "Tu te torna eternamente responsável por aquilo que cativas".

O problema dela, em minha opinião, reside em duas palavras, que juntas tem um peso muito grande quando direcionadas ao outro, eternamente e responsável.

Já vi inúmeras pessoas se sacrificando para agradar ou para cuidar de alguém, seja em relacionamentos afetivos, com amigos ou colegas de trabalho. Já vi gente ser criticada por ter posto fim nessas relações  e, supostamente, feito o outro sofrer, já vi, também, gente se abdicar de sua felicidade pra fazer "feliz" o outro. E isso cai como luvas pra estas pessoas, seja para justificar o sacrifício, seja para manter o "responsável" perto.

No que se refere a esta frase, temos em português a palavra "cativar" que tem o sentido de manter cativo, prender.
Em francês "apprivoiser", e em italiano "addomesticare", em ambas as línguas têm também o sentido de cativar, e, traduzindo ao pé da letra, domesticar. 
Convenhamos que, ali, era um animal falando a uma pessoa.

E, de fato, uma vez domesticado um animal selvagem ele dificilmente se habituará a viver como antes vivia, requer sim uma ação eterna de responsabilidade do outro. Porém, não somos animais selvagens, somos responsáveis por nossas escolhas e decisões, por isso, se queres ser meu amigo, também te peço que me cative, mas não te obrigues a ser eternamente responsável por mim.

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Nana Andrade


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Era uma vez...


"Tem lagarta que acredita ter nascido pra ser borboleta, 
mas a borboleta sabe que nasceu pra ser os dois"

Nana Andrade

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Fé e fato

A vida nem sempre é fácil, ela sempre exige muito de nós, e em alguns momentos exige ainda mais..

Nunca fui uma pessoa pessimista, pelo contrário, sempre acreditei na vida, nas pessoas, e no que há de vir... mas sempre tive medo de tudo isso: das pessoas, da vida e do que há de vir.
Essa dualidade pode sim permear a vida dos indivíduos, estamos sujeitos ao que há de bom e ruim que as relações, com o meio em que vivemos, desencadeiam. 

Às vezes, me cansam as pessoas que pensam que tudo vai mal, que as coisas ruins só acontecem com elas, que nada vai melhorar; O contrário disso me cansa ainda mais. Me cansa a superficialidade, os excessos de vazio, e a covardia, ignorância, alienação ou a soberania daqueles que não querem se implicar, que não percebe-se com um ser que precisa mudar...

Mas, isto não é fácil, fácil é atribuir ao outro a culpa que também é nossa, fácil é atribuir a circunstância e às pessoas a responsabilidade das nossas escolhas ou falta delas, fácil é acreditar que o Divino vai resolver os nossos problemas, como se o Divino não estivesse dentro de nós também. Talvez não seja fácil, mas também é mais cômodo reclamar, ou se culpar, se martirizar de um fato ou problema. 

Difícil mesmo é olhar para o próprio umbigo, é se questionar sobre de que maneira a gente pode ter contribuído para estar na situação que está, é difícil refletir sobre os problemas, os sentimentos, as escolhas que fizemos, isto porque a reflexão provoca mudança, não no outro mas em nós, e mudança requer abandonar os velhos hábitos, os velhos preconceitos, abandonar o porto pra se lançar no desconhecido.

É um processo doloroso e sem garantias...não ter garantias é difícil, e vale a pena? Essa é uma resposta pessoal e intransferível, vai depender do tanto de fé que cada um leva na sua bagagem.
Fé em Deus, fé na vida, fé nos sonhos, fé nas pessoas, e, principalmente, fé em si próprio.




domingo, 14 de agosto de 2011

Ser feliz é sua obrigaçao


Certa vez, presenciei uma palestra de uma antropóloga francesa e, após duas horas de palestra, uma frase dita nunca saiu da minha cabeça, ao falar sobre a diferença dos afetos em determinadas culturas, ela disse que a felicidade no ocidente é quase uma obrigação.

Ser feliz é quase uma obrigação. A felicidade, muitas vezes, está relacionado com a padronização de comportamento.  A menina que veste vestido e é bem comportada, o menino que cantas as menininhas e é estudioso. Os adolescentes que não são rebeldes. Os jovens que fazem vestibular e PASSAM, a mulher que casa e é feliz para sempre, o homem que casa e, ainda que infiel, ama e respeita a sua esposa. A família que frequenta a igreja aos domingos e paga o melhor colégio para os filhos, tem o carro do ano, a casa em condomínio fechado.

É como se a felicidade residisse na conquista do que provém de fora.

Num passeio a uma cachoeira em uma paisagem belíssima, vi que muitas pessoas ligavam o som do carro no ultimo  volume, e aí vocês já imaginam o tipo de música, mas não era (só) a música que me estranhava não, era o fato de as pessoas estarem num lugar tão lindo e não desejarem escutar "a música" que a própria natureza jorrava. Percebendo minha estranheza, uma amiga me disse que, provavelmente, não é que eles não quisessem escutar o barulho da água, o canto dos pássaros, 


ou seja, não é que eles,  também sendo natureza, não quisessem ouvir a natureza, 
é que eles não conseguiam.

E, diante do ter que ser feliz, estamos nós conseguindo?




terça-feira, 2 de agosto de 2011

O medo de amar

Ela pensava que ele nunca iria compreendê-la,
E não compreendeu.

Ela tentou explicar, mas ele estava tão no seu mundo, 
E ela no dela, 
Que a comunicação falhou, e não alcançou ninguém. 

É dai que as palavras, que ela insistia em dizer, chegaram até na garganta
E acabaram voltando como nódulos de lágrima, um bolo de tristeza.

Ela sabia que as palavras, que queria dizer, não iria a lugar algum, 
Iriam se perder no próprio sentido que elas não tinham 
E, então, se voltavam pra dentro com desentido também, 
Um dessentir porque é engolido sem ser mastigado.

Talvez fosse só ansiedade, talvez fosse angustia, talvez fosse TPM, 
Talvez fosse o medo de entender que falar às vezes,
Pode ser tão desnecessário quanto todo o silêncio que ela fez.  

Uma vez que o momento só pedia pra ela sentir, se lançar...
E isso era difícil pra ela, afinal,
Amor não há fala que se defina, 
Que se controla, 
Que se entenda, 
Que se domina

E isso ela não entendia bem.

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Nana Andrade

domingo, 31 de julho de 2011

Quais são seus sonhos?


O sonho é o motor da vida, é dele que vem a energia de lutar, de viver, de ser e estar neste mundo. Há sonhos grandes, e sonhos pequenos, sonhos mais simples e os mais complexos, só não há sonho bobo. Todo sonho é vital e, por isso, importante.

Tem gente que acredita que só os românticos sonham, mas tem gente que sonha, sem saber que está sonhando. Algumas pessoas revelam seus sonhos pra todo mundo, grita eles tão alto que eles saem e fazem eco e jamais se realizam. Apesar de que os sonhos não, necessariamente, são todos realizáveis. Quem nunca sonhou pela paz mundial, pelo fim das diferenças sociais, pela igualdade, pelo amor, pelo respeito entre os homens? 
Mas nem por isso o sonho é em vão, nem neste caso, visto que o sonhador começa a fazer sua parte para torna o sonho possível. 

Não vivemos, no entanto, num mundo da imaginação, nosso mundo é real e concreto, assim muitas vezes vimos um sonho ser "quebrado" por fatos e ações alheios à nossa vontade, até porque o sonho é nosso, mas realizá-lo, geralmente, depende também da relação que estabelecemos. Um sonho que tire a pessoa do contato, da relação, da dependência das demais pessoas, não é um sonho, isso é outra coisa... 

Li certa vez  que alguém guarda um sonho a sete chaves, isso me chamou muito a atenção, fiquei pensando, um sonho guardado  não seria um sonho roubado? Roubado pela própria pessoa. Me parece aquelas coisas que a gente tem vontade de fazer mas não faz.  De fato quando expomos nossos sonhos estamos sujeitos às dificuldades externas, às invejas, afinal nem todo mundo torce pelo bem do outro. Por outro lado, esconder o sonho pode torná-lo fantasia sem nenhum compromisso com a realidade.  

Gosto de pensar no sonho como um motor, como a direção, mas nunca a chegada. O sonho pode ser como um barco, no qual você se coloca pra ir em direção ao desconhecido. Você imagina mil coisas, faz mil planos, o barco te conduz a realizar outros sonhos, pois assim como o barco, um sonho sempre porta outros sonhos, sempre porta você. O barco, por outro lado, não vai sozinho, quem rema é você.

Assim, se estamos apoiados nos nossos sonhos, também estamos guiando ele. Um não se realiza sem o outro. Chegar na terra firme é a realização do sonho, é também o momento de deixar o barco. E aí veremos que a realização de um sonho nem sempre é fiel. Talvez por isso a gente insiste em guardá-lo. Por apego ao nosso sonho, que ao se realizar pode se revelar diferente, não menos feliz, mas diferente. O sonho é só motor, é só um barco, ele não tem um fim em si mesmo. Ou melhor dizer só, dá ideia de pouco, o sonho é todo este motor, todo este barco.

Ele é o transporte para o que há de novo na nossa vida, e o novo é incontrolável. Lutar por um sonho requer coragem, desapego, e abertura para o novo.

Quando conheço alguma pessoa e quero saber sobre ela, nunca pergunto quem é , mas com o que sonha..


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Nana Andrade.



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Como você vivencia suas perdas?



A castração, no âmbito da teoria psicanalítica, e com o sentido que será utilizado neste post, é ter um desejo podado, tirado. E ela pode ser vivenciada pelo sujeito já no nascimento, onde se tem o primeiro trauma, no qual a criança é retirada de um ventre onde estava protegida de tudo e, finalmente, começa seu percurso na sociedade. O nascimento já impõe limites. 


Com decorrer do tempo outras coisas são retiradas do bebê, o peito da mãe, a mamadeira, entre outras que vão acompanhando o desenvolvimento da criança. Há ainda a castração que, de acordo com teoria freudiana, está relacionado com o medo da perda do órgão genital do menino, no qual a menina também vivencia de diferente forma, obviamente.


Enfim, a gente cresce e as castrações continuam..todos dias estamos ameaçados a perder algo, e, por isso, todos os dias estamos buscando alguma coisa, ou, apenas, cuidando para não perder o que temos. Mas, inevitavelmente, perdemos e ai já não somo mais crianças, nossos fantasmas não se escondem mais debaixo da cama ou no escuro, eles escondem dentro de nós.

Há quem esperneie, faz manha, reclame, chora, lamente, faz birra, mas há quem pense, pese, e leve em consideração todos os efeitos da castração. 

Há quem toma remédio porque não suporta o sentimento de perda. Mas há quem se permite chorar, e, embora, lamente aceita a dor e segue em diante, seja elaborando e superando o trauma, seja buscando mais um substitutivo...mas segue. Porque alguns não arriscam sequer um passo.

Há aquele que finge que tá tudo bem e se desmonta por dentro. Há, também, aqueles que estão se desmoronando por dentro, não fingem, porém seguem cheios de cobranças consigo, cheio de indecisões, cheios de seus próprios vazios, estes provavelmente caminharão pouco, ou ainda que muito serão sempre infelizes. Mas há quem reconhece que está tudo mal e que pior estaria se não fosse os cortes as perdas e alguns sofrimento. 

Mais importante que determinadas castrações é a forma de vivenciá-la.

É preciso lutar para que não percamos o que desejamos, mas, é preciso lutar ainda mais para que o que desejamos seja aquilo que nos faça bem, que nos faça plenos, nos faça felizes e tranquilos, ainda que em adversidades. 

Lutar para ser firme e não retomar ao objeto perdido, pode ser tão doloroso quanto sofrer a perda do objeto. E ambos são necessários para um crescimento emocionalmente saudável.

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Nana Andrade

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Quem somos nós?



As pessoas, geralmente, não sabem separar uma coisa da outra, misturam tudo, e isto não é só nestes campos amplos e polêmicos 
que eu citei acima, não.


Nas pequenas coisas, as pessoas se misturam, se confundem 
de um modo que se perdem.
É preciso se lançar, ousar e arriscar, sem medos, mas sem se perder, sem perder o foco, a fé, a consciência de ser singular. 
É preciso não perder a essência.

Se nos apegamos às ideias e posições alheias, 
se nos reconhecemos somente no outro, 
não estamos sendo uma sombra?

Se as ideias alheias se transformarem 
ou se, por suas razões,  o outro for embora, 
quem seremos nós?

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Nana Andrade

sábado, 9 de julho de 2011

O mundo e eu


Maior que o problema de tudo estar dando errado do lado de fora, é o problema de tudo estar dando errado do lado de dentro. O que acontece a nossa volta, ou o que vem de fora e nos afeta interiormente, não depende só da gente, depende, também, das pessoas e circunstâncias envolvidas na situação. Porém, há algo que depende exclusivamente da gente: a maneira de lidar com a situação.

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Nana Andrade

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Qual a dimensão do teu ser?


http://www.cliqueaquidicas.com/wp-content/uploads
/2011/06/Amizade-verdadeira-frases-pequenas.jpg
A dimensão dos homens está vinculada à variedade de conexão que ele estabelece com as coisas.
O homem se constitui pelos laços familiares, e pela amizade. Se constitui, ainda, da relação que estabelece na e com: a escola, o trabalho, relacionamentos amorosos, os sonhos e projetos de vida e, principalmente, consigo mesmo. O homem, é portanto, aquilo que constroi ao longo de sua vida. 

E quanto mais dependendo for maior será sua liberdade.

Dependente porém não de uma coisa só, mas de várias. Ou seja, o maior número de conexões com o meio em que vivemos é que nos garantirá o desapego de todas elas. Veja bem que não me refiro a ser superficial ou sair por ai abraçando o mundo inteiro. Não, não creio que seja isso! Pelo contrário, me refiro a dependência, a entrega e intensidade

Se minha relação com a família é forte, se sinto nos meus amigos, mesmo que sejam poucos, uma confiança autêntica, na escola, faculdade ou trabalho um prazer satisfatório, no namoro ou casamento uma entrega recíproca, se os sonhos me movem, se me aceito com as minhas faltas e busca, então dependo de tudo isso pra viver e ser feliz.  
Todavia, caso se faça um nó em uma dessas conexões, e ele se rompe de alguma forma, vamos sofrer, obviamente, até por que estávamos falando de dependência, mas, sendo a nossa rede grande, teremos outros pontos a nos apoiar. E são eles, ou a nossa relação que temos com todos eles, que nos ajudarão continuar o caminho.

Aquele que está conectado a apenas uma ou poucas dessas redes, que não experimentou a dimensão do seu ser e se fechou a "guetos" estará aprisionado a esta rede e, dificilmente, ainda que queira sairá das amarras a que se vinculou.

Disto pode ser dizer que, embora triste, podemos ser felizes.

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Nana Andrade


domingo, 26 de junho de 2011

O paradoxo da sociedade do controle e da moral

A sociedade contemporânea vem vivenciando um paradoxo entre controle e moral, cujos conceitos, até então, vinham se sustentando um pelo outro. 

Um dos instrumento de controle era a moral imposta. A moral, por sua vez, tinha como uma de suas finalidades: o controle.

As grandes transformações sociais e culturais têm desestabilizado essa relação de controle e moral e, parece, estar afetando diretamente na identidade das instituições e do individuo.

A Igreja católica, por exemplo, justificou e sustentou o feudalismo, a escravidão, e a evangelização do índio, que em muitos momentos,  revelou mais violência cultural que outra coisa. A ciência justificou e sustentou os manicômios, onde os loucos, muitas vezes, eram tratados como bichos. A escola tem justificado e reforçado a posição hierárquica mantida entre o professor e o aluno, bem como entre os próprios alunos a partir da manifestação e suposição do "conhecimento" destes. A família assumiu e sustentou não só posições hierárquicas e, como todas as demais instituições citadas, lugar de repressão sexual.

O advento da tecnologia, a facilidade de acessos a internet e tantas outras transformações culturais e sociais têm exigido que estas instituições revejam suas posturas, reformulem seus discursos para continuarem a existir, já que elas foram cúmplices em distorções da realidade, coibição da liberdade, atrofiamento político e da autonomia e/ou empecilhos na formação do indivíduo. Por outro lado, estas instituições também foram e são importantes para tudo que a isto se opõe. Ou seja, quando estas mesmas instituições se permitiam ou se permitem ao diálogo, à reflexão interna, à busca, ainda que imperfeita, da construção da ética e dos valores morais, sem sobrepor um ao outro, elas operavam e operam para o contato, transcendência e transformação social da realidade. Nisto resulta uma fé sublime, uma ciência inacabada, uma educação construída e uma família pautada pelo amor e crescimento.

Todavia, o que se tem visto, infelizmente, são essas instituições se perdendo porque seus instrumentos de controle ou moral estão se desfazendo. Alguns movimentos religiosos buscam agregar os fieis pelas suas fraquezas e "problemas impossíveis" prometendo a cura e a saída do sofrimento. A ciência, perdendo o posto da verdade absoluta, cai no relativismo desordenado, ou na crítica pela crítica; a escola "psicopatologiza"   todas as crianças apontadas com desvio de padrão; a família, que diga-se de passagem já vem sendo modificada há algum tempo, com o número de divórcios, mães solteiras e, atualmente, com o debate dos casais homossexuais, parece que não está dando conta das mudanças nela ocorrida atribuindo aos filhos as reminiscências (resto) do que ficaram, ou sejam, por terem elas mesmas fracassado, de alguma forma, ou se perdido em seu lugar, querem suprir isso  nos filhos, não deixando, ou não tentando deixar, estes na falta.

Assim somos lançados nessa sociedade ambígua que exige de nós uma padronização de comportamento moral que ela mesma não dá conta. 
E, na tentativa de se "enquadrar" nessa  (des)ordem, nos traímos, visto que nossas condutas refletem grandes lacunas que nós mesmos desconhecemos, da qual também somos cúmplices e fatalmente perpetuamos.

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Nana Andrade

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Fantasia e realidade: qual o destino deste trem?

Não raro, deixamos de desfrutar das coisas e fatos por depositar nelas expectativas além do que elas nos podem oferecer.

Certa vez, tive a oportunidade de fazer um passeio de Maria Fumaça cujo trajeto é São João del Rei a Tiradentes, duas lindas cidades históricas rodeadas por montanhas e rios. O passeio não é tão barato pra se ir sempre, nem tão caro pra não se ir nunca. Contudo, aguardei até que chegasse um momento para que eu pudesse fazer o que inúmeros turistas sempre fazem ao chegar nesta região: o famoso passeio de Maria Fumaça. Assim, quando recebi o convite de um amigo, que visitava a cidade, fui, finalmente, conhecer o tal percurso.

Estava muito entusiasmada com a beleza da locomotiva e com a natureza que eu poderia avistar no passeio lento que o nosso transporte proporcionaria. Eu mesma cheguei a dizer para este amigo, que o passeio seria lindo, a vista perfeita, uma vez que, ao viajar de ônibus pela estrada real, que liga as duas cidades mencionadas, me maravilhava com as serras e cachoeira em volta do caminho.

Porém, ao esperar essa paisagem ideal para um passeio de trem, eu não percebi que já estávamos chegando ao nosso destino. Não me recordo bem das imagens que vi, nem das conversas no trajeto, se é que tivemos, pois, tudo o que vimos, ainda, não era o que eu esperava ver. O fato é que o caminho era normal, rodeado por casas, currais, nada muito belo, achei até meio singelo. 

Assim somo nós, em muitas ocasiões, e, às vezes, nas mais importantes delas, depositamos tantas expectativas e fantasias que não enxergamos os fatos, coisas e pessoas como realmente são. Daí, por estarmos sempre esperando um "por vir", não nos mobilizamos para fazer daquilo que temos, se não especial, já que também não precisamos cair em outro extremo da fantasia, um algo a ser investido, construído e usufruível. 

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Nana Andrade
Imagem disponível em em http://meme.zenfs.com/u/ea1979cef5c41841d098f63be72e93f5b7e60c8d.jpeg


sábado, 11 de junho de 2011

Porque temos vergonha de nossas tristezas?


Demonstrar fraqueza para muitas pessoas pode ser algo muito penoso. Revelar que não estão dando conta de suportar suas fantasias, os medos, as incertezas, as faltas (sentimentos, geralmente, atribuídos aos fracos) são para estas pessoas algo tão difícil de expressar como é doloroso sentí-los. Por isso, inventam mil formas  de uma alegria disfarçada ou inúmeros argumentos com os quais pensam justificar essa angústia.

Isso é muito comum na nossa sociedade que não sabe conviver com o sofrimento, com a tristeza, com a falta. Felicidade, às vezes, parece uma obrigação. Martha Medeiros em seu texto A tristeza permitida fala justamente da intolerância social em relação a tristeza:
 "Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver...o que você me diz?...Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu....Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém..."
Exatamente por isso é tão difícil falar do que julgamos ser nossas fraquezas, parece que a sociedade é dos fortes. E que fortes são estes, que ideal de felicidade é esse que permeia em nós?

Daí, parece que vai virando uma bola gigante de projeções, você se envergonha de estar sofrendo, se cobra a felicidade que acredita que o outro tem, mas, ao menor vacilo do sujeito "feliz" já será o suficiente para que você diga a si mesmo: "de que adianta ter 'isso tudo' e  não ser feliz?" Como se a felicidade se resumisse no ter (ter um (a) companheiro (a), ter dinheiro, ter uma casa, ter filhos, ter muitos amigos). A gente faz ao outro o que fazem com nós, porque buscamos a felicidade sempre fora, enquanto que sufocamos a tristeza.

A questão que a tristeza quanto a felicidade moram num mesmo lugar: dentro de nós, não fora. E não necessariamente se opõem.

Assim, nossa felicidade não pode ser medida pelo outro, nem mesmo a angustia.
"Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos." (Martha Medeiros)
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Nana Andrade

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sentir raiva é ruim?

A raiva é um sentimento como qualquer outro ( sensação de ter escrito isso antes), e ela, por si só, não pode ser determinada como algo ruim ou bom. 

Às vezes, o sentimento de raiva faz mal para aquele (a) que a sente, isto porque o mal humor, quase nunca, é saudável, afasta pessoas do nosso lado, nos deixam amargos, frios e, por consequência, solitários. A raiva, algumas vezes, nos impede de ver o movimento da vida, de perceber os pequenos gestos de carinho e solidariedade. A raiva pode, ainda, deixar o sujeito tão "bitolado" no objeto, que lhe desperta tal sentimento, que se torna incapaz de ver e pensar coisas fora daquela dimensão.

Por outro lado, é exatamente este comportamento que pode liberar o homem de seu objeto. Pensemos, sabe aquelas pessoas que nos impedem de crescer, de desenvolver, que estão sempre nos puxando pra baixo, ou nos estagnando? Sabe aqueles comportamentos, vícios, dependências e apegos que você gostaria de se libertar e não consegue? Pois bem, é nestes momentos que a raiva é muito bem vinda, e, digamos, faz bem. Você se volta com repulsa ao objeto que lhe desperta raiva. E, por isto, consegue tomar a atitude que passou dias, meses ou anos ensaiando. Você é capaz de brigar, falar, descarregar. E nada pior que engolir calado as contrariedades que se apresentam.

A raiva, porém, não é o único caminho pra se resolver as pendências com nossos objetos, nem o melhor, nem o pior. É apenas uma possibilidade. Além disso, a raiva é passageira. Há pessoas que sofrem caladas, estão sempre fazendo a vontade dos outros, estão constantemente agradando as demais para manter uma situação " harmoniosa",  mas um dia, de repente, explodem! Ficam com raiva e são capazes de dizer e fazer coisas jamais ditas e feitas. Elas surpreendem a si mesmas e aos demais.

Contudo, após tomada atitude a raiva passa e a pessoa precisa decidir, retomará os velhos hábitos ou seguirá novo caminho? Caso a resposta seja a primeira alternativa, deve lembrar que um novo momento de cólera já não será surpresa pra ninguém, dai ou não surtirá efeito ou o furor será ainda pior, sem rumo e controle.

É... a raiva é só um caminho.

domingo, 22 de maio de 2011

Religião: busca da felicidade ou postergação do sofrimento?


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Caros leitor@s, nos últimos dias, tenho acompanhado o discurso, seja em conversas nas ruas, programas de televisão e Blogs diversos, sobre a relação do homem religioso diante de si e dos conflitos que lhe cercam, porque, diga-se de passagem, sempre lhe cercam.

Gostaria de realçar que não estou aqui para falar de uma religião específica, ou para questionar a existência de Deus. Todavia, proponho a reflexão sobre o uso da religião para justificar nossos atos e posturas frente ao sofrimento. O que não se trata de criticar, negativamente, a fé, mas de pensá-la à luz da teoria freudiana.

As religiões, como todas as instituições sociais, são compostas por regras morais que, de alguma forma, ditam um padrão de comportamento, sejam em um determinado modo de vestir-se, e/ou ao modo de ser e relacionar com o outro. Tais regramentos são aprendidos e introjetados pelos sujeitos como condição do aprimoramento e elevação na fé.

O fato é que as intempéries da vida, as tribulações e decepções causam um sofrimento árduo demais para nós. Assim, recorremos, segundo Freud, à medidas que minimizam ou nos afastam do sofrimento. É por esta razão que muitas pessoas recorrem ao uso de drogas, álcool e outros vícios. O efeito destes é a insensibilidade, momentânea, ao sofrimento ou, ao menos, àquilo que a pessoa julga sofrer. Sambemos, contudo, que seguindo esta via não é a felicidade que esta pessoa está procurando, mas trata-se de fuga da realidade que lhe apresenta como fardo doloroso.

Também, de acordo com Freud, a religião e a arte são tomadas como medidas paliativas ao sofrimento.  No caso da religião, que é o tema da discussão, ela não torna o sujeito insensível à realidade, mas busca transcender (palavra muito usada nas religiões) e transformar o sentido do sofrimento. Neste processo, a ilusão é imprescindível para mitigar a realidade.

Definamos, então, o sofrimento e a felicidade, para compreendermos melhor a possível relação destes com a religião. A felicidade, defendida pela psicanálise, é oriunda da satisfação do prazer. Nessa perspectiva, a felicidade está restrita a nossa própria constituição. Ou seja, trata-se de um movimento que inicia em nós. Já o sofrimento, mais passível de experimentação, se origina de três fontes: da debilidade do próprio corpo compreendida, dentre outros, nas dores físicas, envelhecimento e finitude; de ações externas que se voltam  contra nós e dos relacionamentos afetivos o qual julgamos ser a mais difícil de todas. Como se o sofrimento advindo das relações amorosas fossem algo a mais, um fator extra de sofrimento, todavia, segundo Freud, ele nada mais é que um fato tão inevitável quanto as demais fontes de sofrimento. 

Assim, diante de tanta pressão desencadeadora do sofrimento é compreensível que as pessoas deixem de buscar a felicidade para investir na esquiva daquele. Deste modo, para estas pessoas ser feliz não é a satisfação do prazer, mas a negação do sofrimento. Por isso, a religião se torna uma possibilidade delas lidarem com um conflito sem perder de vista a busca da felicidade. Já que esta, para religião, diferentemente do que pensa a psicanálise, é um mérito a ser alcançado a partir da mudança de padrões morais e éticos.
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Não é raro encontrarmos, na porta de igrejas, convites de oração e blogs religiosos, promessas de cura e fim ou suporte a angústia. Isso porque o sofrimento é justificado como provação ou punição, levando o sujeito a aceitar e adaptar-se ao mesmo, como condição de redenção e evolução espiritual, para então desfrutar da felicidade eterna com o Pai. Assim, a felicidade é sempre um a posteriore, geralmente deslocada da vida terrena.  

Se, nesta situação, o sujeito encontra consolo e explicação para o desencadeador do sofrimento, ainda que de ordem externa a ele, não há razões para questionar, confrontar e transformar o sofrimento. Até porque, a religião não tem, a priori, a finalidade de tornar o homem crítico, mas de ampará-lo e consolá-lo, trazendo-lhe a resposta sobre sofrimento de todas as ordens, inclusive o inevitável fim. Ela se sustenta em respostas e “verdades absolutas” transferidas como suporte espiritual ao sujeito.

E não são respostas que buscamos o tempo todo?

Embora Freud tenha se reconhecido como ateu e faz uma brilhante discussão sobre a atuação da religião no processo da civilização, devo dizer que eu não o sou, e, ainda se o fosse, o que proponho, como já disse anteriormente, é uma crítica e reflexão no papel da religião quando o assunto é o sofrimento, ou melhor a felicidade.

O perigo disso tudo, creio eu, é o sujeito chegar a certa idade da vida e perceber que todo o sofrimento justificado pode ter lhe causado a privação da felicidade e por decorrência um sofrimento ainda maior do que realmente seria caso tivesse a coragem de enfrentá-lo.


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Nana Andrade com base nos textos:  O futuro de uma ilusão e o Mal estar na civilização de Sigmund Freud.



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