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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vida alheia

http://oferrao.atarde.com.br/wp-content/uploads/2010/02/barulhento.jpg
Não sei o nome da minha vizinha, nem mesmo de sua mãe, visto que ambas se tratam de vagabunda e mentirosa respectivamente, sei que minha vizinha, a "vagabunda" gosta de funk, mas não eh qualquer funk, apenas um, acho que o pior deles, ela o escuta o dia todo. Gostaria, sinceramente, de não saber mais que isto, porém assuntos serio, íntimos e fúteis são berrados diariamente ao "pé" da minha janela. Os berros se confundem com os latido da cachorra ( me refiro ao animal) da minha vizinha. Ali, não mora uma "família", mas um agregado de pessoas, que não sabem, se quer, o que é respeito. Amor então...sei lá se há, se bem que há tantas formas de amar, dizem... Nossa!! Incrível!! A mãe acabou de confirmar o que eu escrevi aqui, "acabou o respeito".

Se me perguntares porque falo da vida alheia,  digo que, por  causa dela não consigo sequer ouvir o meu chorinho em paz...

Nana Andrade

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vá, vá crescer!

video

Vanessa da Mata: Vá 

Estamos o tempo todo em busca de evitar sofrimento, como se isto fosse possível. O que acontece, de fato, é, sofremos para evitar o desprazer. Não falo, apenas, das relações afetivas, mas também das relações que estabelecemos com os demais "objetos" ao nosso redor.


Escrevemos teses sobre assunto que não estamos curiosos; mantemos-nos em um emprego que não temos liberdade e autonomia nas funções; moramos em cidades que detestamos; aceitamos sugestões e compromissos que contrariam nossos planos e condutas, tudo, na expectativa de evitar ou adiar um sofrimento posterior.

Dessa maneira, nos negamos a perceber e, às vezes, até acreditamos que tudo está bem, que tudo vai melhorar. Provavelmente, não se trate somente de medo, mas também do apego e possessão que nos voltamos àquilo que nos cerca. Possivelmente, sentimentos de acomodação, conformidade e auto estima estejam corroborando para manutenção de uma verdade inventada e mistificada por nós.

Vanessa da mata, nesta canção, fala de uma escolha, que como ela mesma canta, é dolorosa, mas necessária. Trata-se de um movimento que busca a transformação da própria realidade, a não aceitação de uma submissão frente a uma situação de angústia.

Fechar os olhos, e esperar que o curso da vida modifique nossa realidade pode ser uma possibilidade para quem não quer enfrentar os riscos que as decisões nos implicam. Isto não significa que a pessoa esteja feliz ou infeliz nesta situação. Creio que revele mais alienação de estado, que qualquer outra coisa.
E alienação é estado de anestesia interna. Pelo menos, assuntos como identidade, autonomia, liberdade e outros “ades” por ai, ficam gravemente comprometidos aos alienados.

A consciência de si e dos fatos, ao contrário da alienação, impede a aceitação de um estado que não possibilita crescimento e prazer. O movimento, aqui, não é em busca de evitar o desprazer, e sim uma busca constante do prazer e realização que, também convenhamos, é uma busca interminável, e não há garantias. E é justamente isso que o alienado busca, garantias, garantia de que, se não vai melhorar, pelo menos nada irá piorar.

No caso, em que a canção se refere, e também podemos estender aos citados por mim anteriormente, há um ganho em se manter a situação vivenciada pelo sujeito. Os ganhos são diversos e variados, dessa forma a auto-estima é que poderá ser crucial para uma transformação.

Em uma canção do Zeca Baleiro há um trecho que ilustra essa discussão, quando ele fala dos pombos, que, embora tenham asas e possam voar alto, preferem comer as migalhas no chão. É assim...

E ai o que você está buscando? A possibilidade da satisfação do prazer, ou acredita que a vida tem um curso próprio e que, portanto as coisas logo serão resolvidas?

Com afeto...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A inveja do outro e a minha desconfiança

 Fonte:
 http://2.bp.blogspot.com/_uzSrCrFZRBY/S8Y3gN-B7rI/AAAAAAAAAGA/E66Kosyoz1I/s1600/falsidade.bmp                                     

Eu devo confessar que tenho um grave problema em lidar com os sentimentos de inveja e falsidade.


Geralmente, tenho dificuldade de aceitar que as pessoas possam nutrir esses sentimentos por mim, embora eu seja naturalmente desconfiada.

Sou um ser desconfiado, desconfiada de mim mesma, assim, sempre que sinto estar ao lado de uma pessoa invejosa ou falsa, me pergunto se eu não estou confundindo as coisas. Não gosto de admitir que tais sentimentos sejam possíveis. E também não sei lidar bem com eles.

Sempre que sinto essa energia numa relação com outras pessoas, procuro desarmar a pessoa, oferecendo, se posso, tudo aquilo que ela está almejando, se é conhecimento, acesso a determinada informação, se é abertura para agir, liderar, manifestar; vai entender? Ser humano às vezes invejam por tão pouco! Mas, estas ações só não melhoram como parecem tornar a pessoa mais ousada em suas atitudes e posturas falsas.

Como já foi dito anteriormente é muito difícil, pra mim, lidar com tais sentimentos, nunca sei bem onde termina a falsidade da pessoa e começa minha desconfiança. Daí minha dificuldade em agir.

Um ser exigente consigo mesmo não costuma acreditar muito que a maldade venha do outro, acha sempre que é preciso rever os próprios conceitos.

Como tenho tido o prazer de me conhecer um pouco mais cada dia, reconheço nesse traço de se auto condenar um limite a ser superado, é então que reúno forças para agir, seja confrontando aquilo que me ameaça, seja afastando. Afastar acho que é o mais fácil e cômodo, não para uma alma exigente, que precisa se assegurar a origem do problema, em si ou no outro.

Gosto de olhar no olho, gosto de observar a mim, o fato e o outro, porque a inveja implica sempre uma tríade.

E, se não estou mais uma vez me condenando ao justificar o outro, digo ainda que, possivelmente, pessoas falsas e invejosas não ajam de má fé. Talvez lhe faltem o respeito ao próximo, mas não necessariamente a má fé, entendo má fé como uma atitude intencional de prejudicar alguém específico.

E o que me move a sair dessa redoma de que só existe o bem e que tudo é ocasionado pela minha desconfiança, é a raiva que vai assolando e tirando a minha paz.

O que digo pra mim mesma nessas situações é que devo me acalmar, cuidando para não cair no jogo e na malícia dos outros, e talvez, o mais difícil, de não começar agir como eles.
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Nana Andrade

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Barreiras culturais e conceituais

http://sosriosdobrasil.blogspot.com/2010/08/o-que-mudou-no-semiarido-o-clima-ou.html
Olá gente, após muito tempo sem postar, venho falar a vocês um pouco da minha experiência nestas férias. No final de dezembro fui a Bahia, mas não fui ao litoral, fui para o interior do semi-árido. Fiquei por dez dias na zona rural, onde havia um povoado. A maioria das casas só tinha energia elétrica há doze anos algumas, onde a emergia elétrica não havia chegado, utilizavam, precariamente, a energia solar. Em várias casas não haviam banheiro, nem mesmo aquelas fossas, umas com um buraco no chão, já viram? Sim, eles fazem suas necessidades fisiológicas no mato. A água que abastece as casas vem de poços construídos pela prefeitura ou das cisternas, como eles chamam, que é, tanto um como outro, um reservatório da água da chuva. No primeiro a água que cai da chuvas forma um lago considerável, podendo secar caso a seca se prolongue. O reservatório recebe a água da chuva que cai no telhado das casas. Também pode acabar caso não chova. Algumas pessoas constroem os próprios poços, ou tanques, como eles dizem. Ali, vi uma água cor de barro, me disseram que estava assim em razão da chuva, ocorrida naqueles dias. Uns homens trabalhavam com um transporte alternativo, levando e trazendo as pessoas e cargas para a cidade em seus respectivos carros, uns montam bares, outros trabalham com a criação de porcos, galinhas e ou cabritos, o que por sinal não parece gerar grandes rendas. As mulheres, em sua maioria, trabalham nas próprias casas, cuidando do lar, do esposo e dos filhos. Homens e mulheres aguardavam a época de colheita do café em Minas para realizarem a migração sanzonal por motivo de trabalho. 
fonte:
http://www.pi.gov.br/materia.php?id=16101 
Havia igreja, associação e escola para crianças até a oitava série. Um posto de saúde, que mal funcionava , por falta de profissionais. Como opção de lazer resta as brincadeiras onde os elementos são de fácil acesso. Brincam-se de futebol, baralho, dominó, o jogo da malha (ver no site http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogo_da_malha), badoque, conhecido por nós mineiro de estilingue. Exceto os jogos de sinucas e dominó nos bares, vi adultos e crianças brincando juntos. 
A vegetação é baixa, e praticamente todos os vegetais apresentavam espinhos. É comum ver palma, uma vegetação comestível e umbú, uma fruta típica da região. O que em Minas chamamos de cajá, eles chamam de siriguela, a mesma não é uma arvore típica da região, embora a vi nos quintais de muitas casas.
Até aqui eu relatei a situação a partir de uma perspectiva de quem vive na cidade, com relativo conforto. E que, no primeiro momento, só consegue ver uma paisagem arcaica, sofrida e curiosa. Todavia se eu tivesse começado o texto com aquilo que vi na relação e na vivência daquelas pessoas, possivelmente este post se tornaria mais leve, bonito e encantador. Mas como nosso movimento prático é sempre de perceber o concreto, o de fácil percepção, narrei tal qual foi meu olhar. E a melhor parte, aquela que na verdade mais me tocou, ficou pr'u final.
 fonte
http://www.sitecurupira.com.br/meio_ambiente/barraginha.htm
Se por um lado a falta de recursos materiais me abalou, por outro a educação, a simplicidade, a harmonia, a beleza daquelas pessoas me deixaram pequena e fútil. Lembrando que a beleza a que me refiro, não era somente a interior. Diante do choque cultural que tive, da agressão da vegetação tão espinhosa, nem comentei sobre os traços finos e delicados daquelas pessoas que conheci. Peles brancas, olhos claros, cabelos lisos, homens viris, mulheres de corpos bem definidos, talvez seja mais uma dos nossos estereótipos de beleza, sobre gente que mora na cidade e na roça, presente na minha descrição. Outras coisas porém fogem à nossa sensibilidade. Quando uma visita de longe chega, muitos soltam fogos de artifícios , a recepção, além disso, é calorosa e com muita fartura. Geralmente matam-se porcos, galinhas, cabritos e fazem o que há de melhor para o hóspede. No meu caso, não teve fogos de artifícios ( que pena), mas além do que jah foi citado, outros moradores, amigos daqueles que me hospedavam, foram me visitar. O fato de eu estar mais calada nos primeiros dias, até por falta de assunto mesmo (afinal o que eu teria pra falar com quem eu nunca vi antes?) fez com que achasse que eu fosse tímida. Mas rapidamente quebrei o gelo.
As crianças respeitam visivelmente os adultos, e sempre que encontra com um pede a bênção. Não é temor, é respeito. Os mais velhos sempre ao me cumprimentarem me diziam, "Deus te abençoe", entende?
No natal, fizeram "vaquinha" e mataram um boi, muita gente se reuniu pra dançar o forró agarradinho, nada de voltinha ou jogar a moça pr'um lado e outro como fazemos no nosso forró universitário. Os rapazes aproveitam a dança pra chegar nas moças, os que não sabem dançar, manda recado a quem tivesse mais proximidade com a moça. Não é muito natural o "ficar", os rapazes querem namorar e casar (???!!!) os casamentos acontecem muito cedo, se houver gravidez, este apressa ainda mais o casamento. E casam!


A interação entre eles é admirável. Conversam, se abraçam, se ajudam, se reúnem, se gostam, mas também brigam, se afrontam, se ignoram, se perdoam se reconciliam ou discretamente se afastam. Juntos na associação, muito bem organizados e definidos os papeis, eles buscam melhorias para o povo. Na igreja, que está sendo construída por eles e por doação, as mulheres se reúnem e com a participação de um diácono, também da comunidade, realizam a celebrações dominicais.
Ao contrário do que a narrativa inicial nos faz pensar eles são felizes, gostam de onde vivem, muitos retornaram pra lá há poucos anos e não querem sair. Isso entretanto, nem sempre é fácil de ver, visto que estamos constantemente analisando os outros via nossas lentes, sobre o que acreditamos ser civilizado, bonito, bom, confortável, certo, errado, importante, melhor e ou pior.
Esta foi certamente uma experiência riquíssima pra mim. Agora espero que quando eu dizer que estive na Bahia ninguém me pergunte mais: "vc foi a praia?". Parece estrangeiro perguntando se a gente mora no Rio, São Paulo ou Belo horizonte, quando falamos que somos brasileiros.

Nana Andrade
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