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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vá, vá crescer!

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Vanessa da Mata: Vá 

Estamos o tempo todo em busca de evitar sofrimento, como se isto fosse possível. O que acontece, de fato, é, sofremos para evitar o desprazer. Não falo, apenas, das relações afetivas, mas também das relações que estabelecemos com os demais "objetos" ao nosso redor.


Escrevemos teses sobre assunto que não estamos curiosos; mantemos-nos em um emprego que não temos liberdade e autonomia nas funções; moramos em cidades que detestamos; aceitamos sugestões e compromissos que contrariam nossos planos e condutas, tudo, na expectativa de evitar ou adiar um sofrimento posterior.

Dessa maneira, nos negamos a perceber e, às vezes, até acreditamos que tudo está bem, que tudo vai melhorar. Provavelmente, não se trate somente de medo, mas também do apego e possessão que nos voltamos àquilo que nos cerca. Possivelmente, sentimentos de acomodação, conformidade e auto estima estejam corroborando para manutenção de uma verdade inventada e mistificada por nós.

Vanessa da mata, nesta canção, fala de uma escolha, que como ela mesma canta, é dolorosa, mas necessária. Trata-se de um movimento que busca a transformação da própria realidade, a não aceitação de uma submissão frente a uma situação de angústia.

Fechar os olhos, e esperar que o curso da vida modifique nossa realidade pode ser uma possibilidade para quem não quer enfrentar os riscos que as decisões nos implicam. Isto não significa que a pessoa esteja feliz ou infeliz nesta situação. Creio que revele mais alienação de estado, que qualquer outra coisa.
E alienação é estado de anestesia interna. Pelo menos, assuntos como identidade, autonomia, liberdade e outros “ades” por ai, ficam gravemente comprometidos aos alienados.

A consciência de si e dos fatos, ao contrário da alienação, impede a aceitação de um estado que não possibilita crescimento e prazer. O movimento, aqui, não é em busca de evitar o desprazer, e sim uma busca constante do prazer e realização que, também convenhamos, é uma busca interminável, e não há garantias. E é justamente isso que o alienado busca, garantias, garantia de que, se não vai melhorar, pelo menos nada irá piorar.

No caso, em que a canção se refere, e também podemos estender aos citados por mim anteriormente, há um ganho em se manter a situação vivenciada pelo sujeito. Os ganhos são diversos e variados, dessa forma a auto-estima é que poderá ser crucial para uma transformação.

Em uma canção do Zeca Baleiro há um trecho que ilustra essa discussão, quando ele fala dos pombos, que, embora tenham asas e possam voar alto, preferem comer as migalhas no chão. É assim...

E ai o que você está buscando? A possibilidade da satisfação do prazer, ou acredita que a vida tem um curso próprio e que, portanto as coisas logo serão resolvidas?

Com afeto...

2 comentários:

  1. Eu espero não deixar o curso me levar!

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  2. Olá minha fiel leitora!
    Também não desejo isto para ninguém, ser espectador de si mesmo, enquanto se pode ser protagonista deve ser no mínimo apático.
    Conheço tanta gente assim.

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