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sábado, 30 de abril de 2011

O que significa o silêncio?

O silêncio, entre os enamorados, pode ser 

a revelação da inexpressividade das palavras. 

E consequentemente o advento do amor,

ao qual palavra não define. 


Para os analistas é um ato. 

O silêncio, para alguns, pode ser só medo.

Outrora, pode ser um escândalo da alma. 

Mas, obviamente, o silêncio pode ser a indiferença, 

e ai o desprezo. 


Mas às vezes o silêncio,

pode ser simplesmente: um silêncio.

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Nana Andrade

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ser mãe



                                       Ser mãe


E uma mulher que carregava o filho nos braços disse:
“Fala-nos dos filhos

E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis  visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,

Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.




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* Texto de Gilbran Khalil 

domingo, 17 de abril de 2011

O tempo não para pra você pensar


É preciso encontrar o caminho do meio, que não é estar em cima do muro, mas, talvez, permanecer nele por um tempo. Não tempo de mais, pois se não teu corpo não te dará a firmeza suficiente, mas não pular logo e sempre, arriscando-se a entrar no quintal do lado, do outro.


Mas às vezes é só entrando  "no lado" do outro que saberá que aquele não era seu. 

É preciso arriscar mais e resistir menos. 

O tempo passa, e não dá pra ficar em cima do muro, vai...se não for, volta...


Mas viva, arrisca! E lembre-se que nem tudo depende de vc, há o outro, há sociedade, há as regras, há a cultura...Por isso não se cobre tanto achando que poderá mudar o mundo, pois sequer salvará a si mesmo...reconheça o limite. E pule!


Nana Andrade



quinta-feira, 14 de abril de 2011

O bajulador e o tirano

http://www.doceshop.com.br/blog/wp-content/uploads/2007/12/rei_bobo_da_corte.jpg

Há uns oito anos atrás, assistindo a uma missa do querido padre Maia ( bocaiuvense) ele, sabiamente, na homilia, disse um trecho sobre as pessoas mais perigosas que existem. Segundo sua fala, e obviamente o que minha memória me permite lembrar, existem dois tipos de pessoas: os mansos e os bravos, todavia dentre estes, havia dois tipos muito perigosos, dos mansos seria o bajulador, e dos bravo o  tirano. Sendo o bajulador ainda mais perigoso que o tirano. Vale notar, para os críticos mais detalhistas, que essa missa foi realizada numa inauguração de uma obra politica partidária.

Não me lembro mais a obra que era inaugurada e nem um momento dessa missa, mas este trecho sempre voltou à minha cabeça. Hoje pensando, novamente, a respeito naveguei pela internet e encontrei neste site http://jeffersonmagnocosta.blogspot.com/2010/08/bajulacao-devemos-temer-mais-lingua-do.html uma descrição sobre as facetas do bajulador e do perseguidor. Recomendo a leitura.

O bajulador, de acordo com o site citado, às vezes se assemelha ao camaleão por não sustentar a opinião e estar sempre mudando de argumento de acordo com o interlocutor; ele pode ser também comparado com um espelho, (adorei esta parte) são aquelas pessoas que riem com você, choram com com você, enfim apenas refletem seu sentimento, sem, no entanto sentir verdadeiramente. Elas são incapazes de de te mostrar o outro lado, te contrariar, ou te fazer refletir. Foram comparadas, ainda, com o eco, que apenas repete o que você diz. Como vimos são três conceitos bem próximos e esclarecedores.

O tirano, no entanto, mostra as armas que tem, se opõe, é atrevido, para o autor do referido blog, o perseguidor é também um bajulador, mas como não sustentou a afirmação com argumentos sólidos, me oponho a esta afirmação, porque acredito que o tirano é no fundo um medroso, por medo de ser atacado, ele ataca. O que pode haver de comum entre as duas espécies seriam a falta de reflexão sobre as ações.

Mas ainda assim, prefiro os tiranos aos bajuladores.

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Nana Andrade

domingo, 3 de abril de 2011

A falta e a busca do outro

Arquivo Pessoal


A busca por um amor é algo belo e saudável, no fim todos tememos a solidão, dessa forma buscar pelo outro é tentar fugir de um certo vazio que a existência nos condena: o vazio da finitude.


Talvez o amor é o sentimento mais apaziguador desse grande medo que gera nas pessoas, como se no final não fôssemos estar mais sozinhos. Mas isto talvez seja uma ilusão, visto que a morte é pessoal e insubstituível, e a vida também o é.

Esta expectativa, todavia, pode sersaudável, desde que esta nos coloque em movimento.
Entretanto, não estamos alheios de cair numa armadilha: buscar no outro ao invés de buscar o outro.

A busca parte da gente, e termina na gente. Conseguem perceber a diferença? Quem busca pelo outro, até encontra, mas quem busca no outro...ah busca infidável!!

Talvez tenhamos mesmo que lidar com o vazio, com o não encontrado...e quem sabe é ai que (nos) encontraremos.

Não haverá encontro com o outro se não houver um verdadeiro encontro pessoal.


Nana Andrade


Cisne Negro.

http://3.bp.blogspot.com/_nvCSbMIf6H0/TVGsriqpNnI/AAAAAAAAAto/kpM9lWT0buM/s1600/Cisne%2BNegro1-02.jpg

Quem de vocês (alguém???) já assistiu o filme Cisne Negro?
Ele está agora nos cinemas. Mas, como a pirataria é um crime natural, eu já o vi nas telinhas do meu computador ( Ah!! o meu computador..snif!).

Se me perguntares se eu recomendo o filme, a resposta é: denpende. Depende de como você está.  Algumas pessoas me disseram que não gostou do filme, outras que não entenderam bem, outras (eu, inclusive) amei. Mas, o amei menos por ser um super filme que pelo tanto que me senti afetada.


O filme, ao meu modo de ver, é uma história de luta interna que a protagonista se depara. Ela, aos 28 anos, estava sob "as rédeas" da mãe, atendendo ou ao menos tentando atender ao desejo desta. A mãe, uma bailarina frustrada que, conforme o filme deixa sub-entendido, se deixa seduzir por um professor e engravida dando fim à sua carreira, e passa a depositar na filha o seu desejo: o de fazer uma grande apresentação e ser a protagonista.

Reparem que esta é uma relação doente, onde mãe e filha se voltam para atender ao desejo uma da outra. E é ai que a Nina (interpretada pela atriz Natalie Portman) começa a se perder em seu desejo obcecado. Ela não dança pelo prazer, mas pela busca exacerbada da perfeição. Todavia, é escolhida para fazer o personagem principal, no qual deve interpretar o Cisne Branco e o Cisne Negro. O primeiro não lhe era difícil, dada sua postura doce e virgem, porém o outro exigia-lhe a sensualidade e malícia, a que ela não vivenciava, ou como revela o filme, sufocava em si mesma.

Não vou contar todo o filme, a ideia nem é essa, mas de refletir as nossas posturas frente aos nossos desejos, às fantasias que emergem em nós mesmo. Quanto mais longe estivermos de nosso desejo, ou quanto mais oprimido este for, maior será o poder da nossa fantasia que, obviamente, se voltará contra nós mesmos.

A minha experiência com este filme foi realmente fascinante, porque me senti afetada e por tal pus-me a questionar meus sonhos, meus planos, meus movimentos, minhas buscas e minhas fantasias. Sou segura de que meu maior adversário sou eu mesma, não é o outro e sim meu modo de vê-lo. Às vezes a grande mudança que esperamos, está mais perto e possível do que pensamos. E pode começar justamente em um novo enfoque, em um novo modo de olhar as coisas e pessoas.

É por isso que volto a dizer que este filme não agradará a todos, mas, certamente, àqueles que fazem um mínimo de auto-reflexão. Lembrem-se que as nossas projeções, a maneira que vemos o outro, é resultado de como enxergamos, ou não enxergamos nós mesmos.

Nana Andrade
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