Páginas

sábado, 7 de maio de 2011

O desejo nas relações amorosas

http://2.bp.blogspot.com/_2ctr206dFhM/TNLQD58rfeI/AAAAAAAAAQ8/Wdg9VvVrA5E/s1600/sentimentos.jpg


Recebi uma amiga em minha casa que procurou-me para desabafar. Ela, há algum tempo, vem enfrentando  crises, no namoro, que lhe tem abalado profundamente. Estou precisando de ajuda, foi esta a frase que ela  usou ao referir sobre o namoro.  Não é de hoje que ela vem expondo as dificuldades e os términos que aconteceram. A cada término ouço sempre a mesma coisa: mas não compreendo, ainda ontem estávamos bem, ainda ontem ele me disse que me amava, ainda ontem ele queria casar. Enquanto amiga, aconselhei como pude, escutei e confrontei-lhe em seu proprio discurso. Enquanto estudante de  psicologia, sugeri que buscasse uma análise. Ali, há questões a serem trabalhadas e, caso ela não procurasse um profissional capacitado, poderia sucumbir-se as suas angústias.

Sei, no entanto, que este não é um problema isolado, pelo contrário, as principais demandas de análise ( ou terapia) são de pessoas, de ambos os sexos, que não estão mais suportando os problemas nas relações amorosas, seja por ciúme, apego, carência, medo de perder, controle, dificuldades de terminar, por sentirem que amam demais e ou que são amadas de menos. 

Por isso, à luz da teoria Freudiana, resolvi propor aos meus leitores uma reflexão sobre alguns sintomas estruturais manifestados na relação amorosa e que causam o adoecimento psiquico. Vou evitar, entretanto, o uso de termos proprios das psicanálise para que a leitura seja de fácil apropriação a todos.

A maioria das mulheres e alguns homens, também, mantêm uma relação um tanto alienada em relação ao desejo do parceiro (a). Isto, muitas vezes, ocorre em função de uma frustração vivida, ainda quando criança, que são projetadas e passam a repetir em todas as relações amorosas. A pessoa acredita que o (a) parceiro (a) possui aquilo que ela não tem, portanto, sua demanda é sempre dependente deste (a) parceiro (a), e é neste último que se espera encontrar o próprio desejo. Desejo que pode variar de pessoa pra pessoa. Desejo de amor, de carinho, de atenção e etc..Criatividade para nomear este desejo é que não falta às pessoas assim.
http://sp0.fotolog.com/photo/32/40/93/weell_gomez/1290531638004_f.jpg

A alienação se efetiva, justamente, nessa crença de achar que o próprio problema, ou a falta que sente pode ser suprimida pelo (a) parceiro, que é visto (a,) então, como um ideal. Mas, infelizmente, não é. A pessoa não percebe que a doença vem exatamente ao se depositar no (a) parceiro(a) a culpa do relacionamento não estar bem, como se coubesse a este (a) ultimo (a) a solução da harmonia, do amor e, por fim, a satisfação do desejo. O mais engraçado de tudo isso é que, na verdade, embora o (a) parceiro corresponda àquilo que ele   (ela) queria, de alguma forma, este (esta) último ou vai esquivar, ignorar, ou vai arrumar outra demanda a este (a)parceiro (a). 

Por exemplo: Uma colega reclamou que o namorado sempre viajava às quartas-feiras e que reclamou com ele e o pediu para ficar um dia a mais e se encontrar na quinta-feira. O namorado, então, cede às cobrança e decide almoçar junto com a namorada na quinta-feira. E ela me conta esta história, dizendo que ia faltar na quinta, pra ele aprender(???!!!) Aprender o que?

E, não obstante, estas pessoas, ainda, supõem saber o que se passa com o(a) parceiro (a) e, por isto, se  debruçam para tentar realizar o que elas pensam ser o desejo destes (as).  Elas fazem com o (a) parceiro (a) aquilo que julgam querer receber. Logo, é um sacrifício sem fim.

O saudável é que as tantas mulheres e os poucos homens, em questão, se dessem conta de que está em si mesmo o poder que eles atribuem estar no outro. 

----------
Nana Andrade com base na leitura do texto:  XI Os traços da estrutura histérica de Sigmund Freud.

3 comentários:

  1. Mt bacana, vc conseguiu descrever piamente os sentimentos de uma mulher que por ventura amou demais... Não está no outro, está nela. E o melhor trabalho a se fazer é enxergar e aceitar o parceiro assim como ele é e o que pode oferecer. Mas o sofrimento de uma MADA é tão grande que, dependendo das circunstâncias, pelo qual ela esteja passando ela acaba agindo cegamente.Por isso aconselho a todas, inclusive a mim se vigiarem... É preciso um intenso movimento de auto-reflexão. Façam isso qdo puderem, pq dpois pode ser tarde demais e o que resta são somente as lágrimas até que Deus se compadece e nos dê outra chance.

    ResponderExcluir
  2. só pra completar... Pra uma MADA é mt importante que o companheiro saiba de seus sentimentos e seja alguém que saiba sinalizar da melhor forma possível, principalmente através do diálogo, aquilo q está lhe sufocando. Embora o processo todo de reflexão seja da mulher, mts vezes um companheiro pode ajudá-la mt a se tornar a cada vez mais saudável.

    ResponderExcluir
  3. Olá! Obrigada pela sua visita. Seus comentários, certamente, podem contribuir para reflexão de outras mulheres que também encontram dificuldades nas relações. E, cá entre nós, quem não tem dificuldade nas relações amorosas.
    Sim, concordo contigo, a relação é sempre algo a dois, portanto, nada mais saudável que a partilha, a reflexão. Todavia, qd a relação está doente, isto às vezes fica difícil. Por isso, talvez o tempo seja o melhor aliado, ainda que doloroso.

    Volte sempre aos @afetoseofertas

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...