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domingo, 31 de julho de 2011

Quais são seus sonhos?


O sonho é o motor da vida, é dele que vem a energia de lutar, de viver, de ser e estar neste mundo. Há sonhos grandes, e sonhos pequenos, sonhos mais simples e os mais complexos, só não há sonho bobo. Todo sonho é vital e, por isso, importante.

Tem gente que acredita que só os românticos sonham, mas tem gente que sonha, sem saber que está sonhando. Algumas pessoas revelam seus sonhos pra todo mundo, grita eles tão alto que eles saem e fazem eco e jamais se realizam. Apesar de que os sonhos não, necessariamente, são todos realizáveis. Quem nunca sonhou pela paz mundial, pelo fim das diferenças sociais, pela igualdade, pelo amor, pelo respeito entre os homens? 
Mas nem por isso o sonho é em vão, nem neste caso, visto que o sonhador começa a fazer sua parte para torna o sonho possível. 

Não vivemos, no entanto, num mundo da imaginação, nosso mundo é real e concreto, assim muitas vezes vimos um sonho ser "quebrado" por fatos e ações alheios à nossa vontade, até porque o sonho é nosso, mas realizá-lo, geralmente, depende também da relação que estabelecemos. Um sonho que tire a pessoa do contato, da relação, da dependência das demais pessoas, não é um sonho, isso é outra coisa... 

Li certa vez  que alguém guarda um sonho a sete chaves, isso me chamou muito a atenção, fiquei pensando, um sonho guardado  não seria um sonho roubado? Roubado pela própria pessoa. Me parece aquelas coisas que a gente tem vontade de fazer mas não faz.  De fato quando expomos nossos sonhos estamos sujeitos às dificuldades externas, às invejas, afinal nem todo mundo torce pelo bem do outro. Por outro lado, esconder o sonho pode torná-lo fantasia sem nenhum compromisso com a realidade.  

Gosto de pensar no sonho como um motor, como a direção, mas nunca a chegada. O sonho pode ser como um barco, no qual você se coloca pra ir em direção ao desconhecido. Você imagina mil coisas, faz mil planos, o barco te conduz a realizar outros sonhos, pois assim como o barco, um sonho sempre porta outros sonhos, sempre porta você. O barco, por outro lado, não vai sozinho, quem rema é você.

Assim, se estamos apoiados nos nossos sonhos, também estamos guiando ele. Um não se realiza sem o outro. Chegar na terra firme é a realização do sonho, é também o momento de deixar o barco. E aí veremos que a realização de um sonho nem sempre é fiel. Talvez por isso a gente insiste em guardá-lo. Por apego ao nosso sonho, que ao se realizar pode se revelar diferente, não menos feliz, mas diferente. O sonho é só motor, é só um barco, ele não tem um fim em si mesmo. Ou melhor dizer só, dá ideia de pouco, o sonho é todo este motor, todo este barco.

Ele é o transporte para o que há de novo na nossa vida, e o novo é incontrolável. Lutar por um sonho requer coragem, desapego, e abertura para o novo.

Quando conheço alguma pessoa e quero saber sobre ela, nunca pergunto quem é , mas com o que sonha..


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Nana Andrade.



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Como você vivencia suas perdas?



A castração, no âmbito da teoria psicanalítica, e com o sentido que será utilizado neste post, é ter um desejo podado, tirado. E ela pode ser vivenciada pelo sujeito já no nascimento, onde se tem o primeiro trauma, no qual a criança é retirada de um ventre onde estava protegida de tudo e, finalmente, começa seu percurso na sociedade. O nascimento já impõe limites. 


Com decorrer do tempo outras coisas são retiradas do bebê, o peito da mãe, a mamadeira, entre outras que vão acompanhando o desenvolvimento da criança. Há ainda a castração que, de acordo com teoria freudiana, está relacionado com o medo da perda do órgão genital do menino, no qual a menina também vivencia de diferente forma, obviamente.


Enfim, a gente cresce e as castrações continuam..todos dias estamos ameaçados a perder algo, e, por isso, todos os dias estamos buscando alguma coisa, ou, apenas, cuidando para não perder o que temos. Mas, inevitavelmente, perdemos e ai já não somo mais crianças, nossos fantasmas não se escondem mais debaixo da cama ou no escuro, eles escondem dentro de nós.

Há quem esperneie, faz manha, reclame, chora, lamente, faz birra, mas há quem pense, pese, e leve em consideração todos os efeitos da castração. 

Há quem toma remédio porque não suporta o sentimento de perda. Mas há quem se permite chorar, e, embora, lamente aceita a dor e segue em diante, seja elaborando e superando o trauma, seja buscando mais um substitutivo...mas segue. Porque alguns não arriscam sequer um passo.

Há aquele que finge que tá tudo bem e se desmonta por dentro. Há, também, aqueles que estão se desmoronando por dentro, não fingem, porém seguem cheios de cobranças consigo, cheio de indecisões, cheios de seus próprios vazios, estes provavelmente caminharão pouco, ou ainda que muito serão sempre infelizes. Mas há quem reconhece que está tudo mal e que pior estaria se não fosse os cortes as perdas e alguns sofrimento. 

Mais importante que determinadas castrações é a forma de vivenciá-la.

É preciso lutar para que não percamos o que desejamos, mas, é preciso lutar ainda mais para que o que desejamos seja aquilo que nos faça bem, que nos faça plenos, nos faça felizes e tranquilos, ainda que em adversidades. 

Lutar para ser firme e não retomar ao objeto perdido, pode ser tão doloroso quanto sofrer a perda do objeto. E ambos são necessários para um crescimento emocionalmente saudável.

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Nana Andrade

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Quem somos nós?



As pessoas, geralmente, não sabem separar uma coisa da outra, misturam tudo, e isto não é só nestes campos amplos e polêmicos 
que eu citei acima, não.


Nas pequenas coisas, as pessoas se misturam, se confundem 
de um modo que se perdem.
É preciso se lançar, ousar e arriscar, sem medos, mas sem se perder, sem perder o foco, a fé, a consciência de ser singular. 
É preciso não perder a essência.

Se nos apegamos às ideias e posições alheias, 
se nos reconhecemos somente no outro, 
não estamos sendo uma sombra?

Se as ideias alheias se transformarem 
ou se, por suas razões,  o outro for embora, 
quem seremos nós?

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Nana Andrade

sábado, 9 de julho de 2011

O mundo e eu


Maior que o problema de tudo estar dando errado do lado de fora, é o problema de tudo estar dando errado do lado de dentro. O que acontece a nossa volta, ou o que vem de fora e nos afeta interiormente, não depende só da gente, depende, também, das pessoas e circunstâncias envolvidas na situação. Porém, há algo que depende exclusivamente da gente: a maneira de lidar com a situação.

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Nana Andrade

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Qual a dimensão do teu ser?


http://www.cliqueaquidicas.com/wp-content/uploads
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A dimensão dos homens está vinculada à variedade de conexão que ele estabelece com as coisas.
O homem se constitui pelos laços familiares, e pela amizade. Se constitui, ainda, da relação que estabelece na e com: a escola, o trabalho, relacionamentos amorosos, os sonhos e projetos de vida e, principalmente, consigo mesmo. O homem, é portanto, aquilo que constroi ao longo de sua vida. 

E quanto mais dependendo for maior será sua liberdade.

Dependente porém não de uma coisa só, mas de várias. Ou seja, o maior número de conexões com o meio em que vivemos é que nos garantirá o desapego de todas elas. Veja bem que não me refiro a ser superficial ou sair por ai abraçando o mundo inteiro. Não, não creio que seja isso! Pelo contrário, me refiro a dependência, a entrega e intensidade

Se minha relação com a família é forte, se sinto nos meus amigos, mesmo que sejam poucos, uma confiança autêntica, na escola, faculdade ou trabalho um prazer satisfatório, no namoro ou casamento uma entrega recíproca, se os sonhos me movem, se me aceito com as minhas faltas e busca, então dependo de tudo isso pra viver e ser feliz.  
Todavia, caso se faça um nó em uma dessas conexões, e ele se rompe de alguma forma, vamos sofrer, obviamente, até por que estávamos falando de dependência, mas, sendo a nossa rede grande, teremos outros pontos a nos apoiar. E são eles, ou a nossa relação que temos com todos eles, que nos ajudarão continuar o caminho.

Aquele que está conectado a apenas uma ou poucas dessas redes, que não experimentou a dimensão do seu ser e se fechou a "guetos" estará aprisionado a esta rede e, dificilmente, ainda que queira sairá das amarras a que se vinculou.

Disto pode ser dizer que, embora triste, podemos ser felizes.

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Nana Andrade


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