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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Como você vivencia suas perdas?



A castração, no âmbito da teoria psicanalítica, e com o sentido que será utilizado neste post, é ter um desejo podado, tirado. E ela pode ser vivenciada pelo sujeito já no nascimento, onde se tem o primeiro trauma, no qual a criança é retirada de um ventre onde estava protegida de tudo e, finalmente, começa seu percurso na sociedade. O nascimento já impõe limites. 


Com decorrer do tempo outras coisas são retiradas do bebê, o peito da mãe, a mamadeira, entre outras que vão acompanhando o desenvolvimento da criança. Há ainda a castração que, de acordo com teoria freudiana, está relacionado com o medo da perda do órgão genital do menino, no qual a menina também vivencia de diferente forma, obviamente.


Enfim, a gente cresce e as castrações continuam..todos dias estamos ameaçados a perder algo, e, por isso, todos os dias estamos buscando alguma coisa, ou, apenas, cuidando para não perder o que temos. Mas, inevitavelmente, perdemos e ai já não somo mais crianças, nossos fantasmas não se escondem mais debaixo da cama ou no escuro, eles escondem dentro de nós.

Há quem esperneie, faz manha, reclame, chora, lamente, faz birra, mas há quem pense, pese, e leve em consideração todos os efeitos da castração. 

Há quem toma remédio porque não suporta o sentimento de perda. Mas há quem se permite chorar, e, embora, lamente aceita a dor e segue em diante, seja elaborando e superando o trauma, seja buscando mais um substitutivo...mas segue. Porque alguns não arriscam sequer um passo.

Há aquele que finge que tá tudo bem e se desmonta por dentro. Há, também, aqueles que estão se desmoronando por dentro, não fingem, porém seguem cheios de cobranças consigo, cheio de indecisões, cheios de seus próprios vazios, estes provavelmente caminharão pouco, ou ainda que muito serão sempre infelizes. Mas há quem reconhece que está tudo mal e que pior estaria se não fosse os cortes as perdas e alguns sofrimento. 

Mais importante que determinadas castrações é a forma de vivenciá-la.

É preciso lutar para que não percamos o que desejamos, mas, é preciso lutar ainda mais para que o que desejamos seja aquilo que nos faça bem, que nos faça plenos, nos faça felizes e tranquilos, ainda que em adversidades. 

Lutar para ser firme e não retomar ao objeto perdido, pode ser tão doloroso quanto sofrer a perda do objeto. E ambos são necessários para um crescimento emocionalmente saudável.

 ____________
Nana Andrade

15 comentários:

  1. É tudo uma grande verdade.
    Um beijo
    Denise

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  2. A visita da Denise POrtes é sempre um presente a este Blog. Bjs com carinho

    Nana

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  3. sempre que eu perco alguma coisa, qualquer que seja ela...entendo que ganho outra...

    beijos!

    Bia

    obs-sinta-se sempre bem vinda esteja lá em meu OLHAR, onde só vale se OLHAR DENTRO DOS OLHOS...

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  4. E eu ainda me pergunto o que nos faz mais inteiros de nós mesmos? E eu ainda arrisco um palpite: Não são as quedas que levamos, mas a forma que usaremos para nos reerguermos.

    Belo texto argumentativo.
    Beijos e volto!

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  5. Muito bom seu comentário Jayne, obrigada pela visita!
    nana

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  6. Nunca é fácil lidar com a perda, é muito doloroso perder algo ou alguém que a gente gosta, então é permitido chorar, desabafar, descarregar esta angustia, este sofrimento.
    Mas seja qual for a perda e por difícil que seja, temos que superar, aceitar e tocar a vida para frente, afinal a vida continua.

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  7. "Uma das maiores perdas que tive foi a do meu pai, mas não perdi ele quando ele faleceu, mas antes quando ele foi embora e nunca mais voltou, perdi ele para a bebida que ele nunca conseguiu largar, perdemos o tempo que poderíamos curtir juntos.
    Perdi um namorado no qual gostava muito, mas não perdi ele quando ele terminou comigo, perdi ele quando a nossa relação já não dava mais certo.
    Perdi tempo insistindo em relações que sabia que não dava certo, perdi o meu amor próprio quando não dava valor em mim mesma, perdi a auto estima dando valor em quem não me merecia, perdi tempo de passar com os meus amigos e familiares.
    A perda infelizmente ela é inevitável, vamos perder, pessoas também vão perder a gente e por ai vai.
    Eu lutei, superei e recuperei algo que tinha perdido, recuperei o meu amor próprio, a minha auto estima, o meu pai infelizmente não deu, mas carrego comigo o pouco tempo que passamos juntos, o tempo perdido também não se recupera mais, mas hoje procuro fazer coisas que gosto e com que gosta de mim, namorados tive outros.
    A vida continua amigos é ela é muito linda, linda, linda...

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  8. Nana,
    Fiquei especialmente tocada por seu comentário tão carinhoso em meu blog. Obrigada, com todo o meu coração. Para mim também é uma honra dividir palavras e afeto com você.
    Um beijo, com carinho
    Denise

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  9. Passando para te deixar um beijo!

    Bia

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  10. "Negar ou mascarar a dor não nos ajuda a superar as dificuldades."

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  11. Como lidar com a perda?



    Existem vários tipos de perda. A partir do momento que nascemos já começamos a perder. Nos é cortado o cordão umbilical, e perdemos o contato quase direto com a nossa mãe, éramos um só e nos tornamos dois, e daí por diante é somente uma seqüência de perdas, perdemos os dentes, perdemos os cabelos, perdemos o comodismo de chorar e a comida chegar, perdemos o mundo infantil, perdemos o gosto desbravador e poderoso da adolescência, perdemos a ingenuidade, perdemos o gostinho do primeiro beijo, perdemos os trabalhos em grupo da época da escola, perdemos as farras da época da faculdade, perdemos a irresponsabilidade, perdemos o sono, perdemos um parente, perdemos uma grande paixão, perdemos o corpinho tamanho 36, perdemos a flexibilidade, perdemos a humildade de ser aprendiz, perdemos o posto de filha, perdemos, perdemos, perdemos... Como lhe dar com a perda?
    Se conscientizando dos ganhos! Leva tempo para notarmos que houve ganhos, mas é o tempo o melhor amigo das perdas, e a maturidade a conquista.
    (Leiam de novo as perdas e abaixo os ganhos na seqüência)
    Ganhamos a individualidade, ganhamos dentes permanentes (até perdermos de novo na velhice), ganhamos as nossas verdadeiras mechas, ganhamos a oportunidade de escolher nossa própria comida e quem sabe o prazer de cozinhar o que gostamos, ganhamos a delícia da juventude, a sabedoria e independência da fase adulta, ganhamos a maturidade, ganhamos o prazer de saber como beijar e conquistar através do beijo, ganhamos amigos que vão nos acompanhar por toda vida onde nós marcaremos novas reuniões em grupo, ganhamos a responsabilidade, ganhamos a noite, ganhamos um filho, ganhamos lembranças permanentes e lições pra vida toda, ganhamos a estabilidade do amor, ganhamos um corpaço, aquele de mulher que toda menina quer ter, reconquistamos a flexibilidade com a segurança adquirida, reconquistamos a humildade de saber que sempre aprendemos mais e confiança em seu próprio taco, ganhamos o posto de mãe, de avó, de madrinha, ganhamos, ganhamos, ganhamos.
    AUTORA: OLGA MARQUES

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  12. vou de dialética : tudo trás dentro de si seu "oposto"... cada perda vem com um ganho... o importante é não perdermos este olhar...

    beijo enorme

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  13. Oras quando eu perco algo, fico triste e tiver vontade de chorar também choro, mas supero e sempre acredito que coisas melhores virão.

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  14. gosto muito de você lá no meu OLHAR!
    um beijo e bom domingo!

    Bia

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  15. Gostaria de agradecer Bia, Denise, Jayne, Vi,Amanda, Paula, ao anônimo, pela constante visita, pelo carinho, pelos comentários.

    Gostaria de ter respondido a cada uma particularmente. Mas tive umas semanas bem agitadas e não pude fazê-lo. Contudo a presença de vcs aqui me enriquece, ma faz querer continuar a escrever.

    beijos

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