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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E quando o sonho acaba?

E de repente tudo que você sempre sonhou está a sua porta, apenas te esperando.
Tudo pelo que você lutou te aguarda.
E de repente, o sonho vai morrendo, para se transformar em realidade.


O sonho sempre foi um apoio..e o apoio vai se desfazendo..
É como passar a noite esperando o dia e não saber o que fazer nele.


A realidade é a morte do sonho....então sua realização não deixa de trazer um bocado de luto. Até porque no sonho sempre vem um pouco ou um tanto de fantasia, e elas todas precisam morrer, porque do contrário a realidade não acontece, ainda que a realidade produza mais fantasias.


A concretização de um sonho pode ser para uns o deleite da conquista, mas para outros, a conquista sempre pede mais luta.


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Nana Andrade

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Cativar, cativar, o que é isso?




"O Pequeno Príncipe" é um dos meus livros favoritos, li e reli-o várias vezes, gosto principalmente da conversa dele com a raposa, que entendo ser o ápice do livro, mas a frase que todos mais gostam, ou, pelo menos, a mais famosa é a que mais me incomoda: "Tu te torna eternamente responsável por aquilo que cativas".

O problema dela, em minha opinião, reside em duas palavras, que juntas tem um peso muito grande quando direcionadas ao outro, eternamente e responsável.

Já vi inúmeras pessoas se sacrificando para agradar ou para cuidar de alguém, seja em relacionamentos afetivos, com amigos ou colegas de trabalho. Já vi gente ser criticada por ter posto fim nessas relações  e, supostamente, feito o outro sofrer, já vi, também, gente se abdicar de sua felicidade pra fazer "feliz" o outro. E isso cai como luvas pra estas pessoas, seja para justificar o sacrifício, seja para manter o "responsável" perto.

No que se refere a esta frase, temos em português a palavra "cativar" que tem o sentido de manter cativo, prender.
Em francês "apprivoiser", e em italiano "addomesticare", em ambas as línguas têm também o sentido de cativar, e, traduzindo ao pé da letra, domesticar. 
Convenhamos que, ali, era um animal falando a uma pessoa.

E, de fato, uma vez domesticado um animal selvagem ele dificilmente se habituará a viver como antes vivia, requer sim uma ação eterna de responsabilidade do outro. Porém, não somos animais selvagens, somos responsáveis por nossas escolhas e decisões, por isso, se queres ser meu amigo, também te peço que me cative, mas não te obrigues a ser eternamente responsável por mim.

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Nana Andrade


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