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segunda-feira, 5 de março de 2012

Carnaval: alegria ou utopia?


O Carnaval

Dizem que o ano não começa antes do Carnaval...é preciso esperar fevereiro para que na quarta-feira de cinzas o ano comece... e começa triste.Mas se começa numa data triste, é porque foi preciso passar pela alegria do Carnaval.
Nesses quatro dias, sete ou dez em algumas cidades onde a folia começa uma semana antes, a esperança brota sincera não como uma utopia, uma frase bonita apenas, tal como ouvimos muitas vezes na data triste do Natal ou do Ano-novo. Ao contrário, a esperança é vivida na alegria, na descontração, na amizade sem preconceitos, sem barreiras do Carnaval. Nesses dias tudo se pode, tudo se faz desde que haja desejo e consenso... É a vez da vontade, da gana de ser feliz, o pobre desfila com o rico, o pai de família sai vestido de mulher, as crianças se fantasiam, os adultos fantasiam tal como quando eram crianças...
Desculpem-me os filósofos, desculpe Marx, Adorno e tantos outros que são coerentes ao dizer que a promessa de felicidade e realização nessa ordem se encontra na utopia, na ideia singela de outra organização mais justa e solidária que até então desconhecemos... Concordaria plenamente se não houvesse o carnaval, talvez seja alienação de minha parte, talvez desconhecimento meu... mas a utopia nós vivemos nesses quatro dias. O desejo substitui o trabalho, a alegria o dever, o sorriso o tédio, e nesses dias lembramos que podemos ser felizes, por que não? O beijo leve e descompromissado dos foliões nos lembra da leveza perdida entre os casais, o grupo de amigos fantasiados nos pergunta por que levamos nossos papéis tão a sério...
Não cresci no Carnaval, nem sabia o que era, mas pude conhecê-lo há cinco anos e desde então me apaixonei por suas marchinhas, por seu ritmo de feriado, e por que não dizer também pelas músicas que a cada ano mudam e assim dão o tom diferente a cada carnaval que passa.
Mas como toda felicidade nessa vida é fugidia, o carnaval acaba e o pano desse espetáculo desce na quarta-feira de cinzas impassível e montando um cenário não mais descompromissado....
            Mas naquele que se deixa levar pelo enredo do carnaval sabe que nele brota a ideia de que é possível, apesar de tudo, olhar para a vida e para o ano que enfim chega com o olhar da criança fantasiada, do folião descontraído, da bandinha que passa, do bloco improvisado que, apesar de tudo, canta e anima a vida, mesmo sabendo que tudo isso acaba, assim como acaba a vida. 










*Texto de Claudia Moura  

Agradeço mnha amiga Claudinha por este texto que ela oferece ao nosso AFETOS & OFERTAS
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