Páginas

sábado, 30 de novembro de 2013

Amar

Amar desobrigado é amar com liberdade.
Nesse sentido, amar é um risco.
Quem se limita temendo um fim,
não pode amar assim

Sentimentos de quem foi rejeitado


Uma pessoa sentindo-se rejeitada disse que se sentia um "trapo".
Eu sempre ouvi esta expressão de pessoas referindo-se a roupas velhas, então presumi que ela se referia metaforicamente a roupa velha. O que penso sobre isso?

É mesmo muito triste amarmos alguém e não ser correspondido. Mas tudo que não devíamos sentir é assim, um trapo, porque significa que pior do que aquele alguém que não nos ama, nós próprios não nos amamos.
Aí é o perigo,
sofrer sim, somos humanos, mas se sentir "trapo" não,
não somos objetos para ficar trapo e quem nos trata assim é que precisa urgentemente de ajuda.
O sofrimento, ainda que não seja bom faz parte,
e superado nos faz mais forte,
mais refinados, diria.
Mas, se estas palavras não ajuda muito, sugiro a quem se sente um trapo
que banhe-se,
remenda-te
e (in)vista-se  mais uma vez.


Não somos por uma função, somos por uma essência!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Se viver não é ter, como posso ser?



Ele era muito rico, um cantor famoso que conquistou mundo inteiro com sua performance e talento. Seguido por multidões e jornalistas do mundo inteiro, sentia-se preso.

Ela era muito pobre, uma órfã abandonada às ruas da capital, vivia esquecida e invisível por todos. Dormindo ao relento, caminhando pelo mundo, setia-se presa.

Estas duas pessoas tinha algo em comum, a falta de vida, mas por motivos diferentes, enquanto um tinha muito a outra não tinha nada.

À primeira vista, principalmente aos olhos de todos nós, filhos da sociedade do consumo e regulados por padrões de comportamento, a vida do primeiro é mais fácil, os problemas são incomparáveis ao da segunda pessoa.
Porque também acreditamos que a felicidade está no ter.
Ainda que pensemos o contrário, também não poderíamos afirmar que os problemas da segunda pessoa são mais resolvíveis. À parte todos questões relacionadas à situação de um e do outro, ambos morrem de vida, ou da morte em vida.

O primeiro, embora tenha o dinheiro para ir onde quiser, comprar o que quiser, não pode viver como quer, há quem o fotografe, exponha, critique, há quem o define.. Seu tempo, suas escolhas, sua intimidade é limitada, definhada a cada click, a cada revista estampada, a cada "multidão" de autógrafos. Talvez ele quisesse fazer coisas normais, simples, bobas, fúteis, talvez ele quesse viver...

Ela, possivelmente, queria espaço que fosse o seu, um dinheiro que não fosse o do pão, uma roupa que não fosse para o frio, ela queria poder escolher.

A angústia de ambos não é por mais ou menos dinheiro, é por vida. É por fazer as coisas que eles mesmo possam avaliar, possam pensar...eles querem a vida, a vida prometida no nascimento.

Há quem diga que ele pode deixar tudo, mas para o público o astro será sempre um astro, para a mídia seus passos podem ser sempre o sensacionalismo do dia..
E se ela conseguisse um trabalho, conseguisse uma casa, conseguisse o que queria...

Às vezes a questão não passa em conseguir algo ou deixar de ter, o que eles querem é viver.
Viver a liberdade de escolher, de ter possibilidade de escolher...viver é isso, escolher todo dia..
Quando as escolhas acabam, quando as dúvidas são seladas por respostas formatadas, não há vida, não há movimento, não há alegria...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Entre ser discreto e direto: capacidade rara de conciliar

Aprecio pessoas diretas, que não têm medo de dizer o que pensam sobre determinado assunto, que não fazem volta pra dizer "não", que não se escondem em ironias que visam 'alfinetar' os outros e depois se esconder-se no "interpretem como quiser". Ser direto não significa, aqui pelo menos, em ser arrogante e intolerante às opiniões alheias, aliás, pessoas diretas em geral não têm medo de se expressar exatamente porque não tem medo de discutir, assim ouvir a opinião alheia lhe é sempre uma possibilidade rica de discussão e aprendizagem.

Aprecio as pessoas discretas, que não sentem a necessidade de exporem suas vidas pessoais nas redes sociais. Que não se revelam numa primeira conversa  e nem enchem o/a outro/a de perguntas curiosas e pessoais, caso o/a outro/a não lhe tenha dado tal liberdade.
Que não 'lavam roupa' suja em público (virtual ou real). Ser discreto, em minha compreensão, não significa ser fechado e antipático para evitar que pessoas desconhecidas lhe aproximem. Ou ficar criticando pessoas que gostam de partilhar suas experiências, fotos e pensamentos nas redes sociais ou numa primeira conversa de bar. Quem é discreto (no sentido aqui apreciado), o é  por questão de um sentido pessoal, não por repressão, pelo que não sentem necessidade de diminuir  ou ofender aqueles que levam uma vida mais 'aberta'.

Há muitas pessoas diretas, igualmente discretas. Mas a capacidade de harmonizar estes dois atributos é para poucos. Ser discreto não significa necessariamente ser direto e vice-versa.

As pessoas diretas, em geral, têm uma tendência para serem indiscretas. Já as discretas, por receio de terem suas vidas supostamente invadidas evitam ser diretas.

Conciliar a discrição e a qualidade de ser direto é uma arte da relação. E como tal requer grande habilidade e manejo do artista, requer correções, paciência, técnica e muita sensibilidade. Mas requer acima de tudo e ao fim de tudo:

uma vida rara, uma obra viva!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ansiedade como enfrentá-la?

Bom, não pretendo ficar aqui explicando o que é ansiedade, porque não acredito que as definições da ciência sejam capazes de descrever o seu sentido.

Se sente ansiosa/o? Você que poderá dizer do efeito e não tem nada que comparar com sintomas de outrem, deixemos isso aos médicos especialistas que precisam ou só sabem medicá-las. O papo hoje é: como se sente, o que faz quando se sente ansiosa/o e em que te  sente prejudicado?

Reconhecer os medos e as preocupações que lhe causaram esta sensação, é já um bom início. Aceitá-las também. Vivemos em uma sociedade 'normatizada', reguladora de comportamento que exclui as pessoas que ela mesma adoeceu, e ainda as exige um padrão. As redes sociais reforçam esta imagem, do belo, do sucesso, do sadio e da felicidade.

Precisamo aprender a ser menos exigente conosco...E a aceitar o sentimento sereno, mas o confuso também.

Aceitar nossa humanidade.

Apenas assim, integrados com nossa essência, é que seremos capaz de superarmos e transcedermos a muito dos desencadeadores do nosso sofrimento. Isto não significa que não iremos sofrer mais, ou não nos sentiremos mais ansiosos. Pois a vida, que é busca de sentido, só se finda no leito de morte. Portanto, não devíamos freá-la na repetição e, principalmente, na negação do confronto pessoal. Podemos e devemos continuar, superando-nos, aprendendo e buscando.

E comecemos a buscar por/em nós mesmos!


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...