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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O que fizeram nas suas férias? A típica e irritante pergunta

Lembro-me que sempre ao voltar do período de férias era comum os professores pedirem que fizéssemos uma redação sobre as nossas férias. Eu o-d-i-a-v-a aqueles redações pré formatadas que a falta de imaginação daqueles professores me obrigava a fazer.

Não me lembro muito bem do que os colegas escreviam, na verdade nem o que eu própria escrevia. Sabia que num tinha muita coisa pra contar. Não fiz nada de novo além de não ir para a escola. E isso não era um problema pra mim.

A gente cresce e percebe que esta coisa de "fazer" como "ter" é típica do mundo adulto. Vê-se isso nas redes sociais, todo mundo competindo pelas fotos mais lindas, lugares mais tops que visitaram. Assim, o que tem e o que fizeram já está exposto aos demais adultos como eles.

O que tenho pra dizer não tem nada a ver com despeito, inveja (assim que os" fotobokianos" pensam estar a despertar caso ninguém curtas suas imagens caras). Devo dizer até que viajei e fiz bastante coisa neste período de festa, bastante até pra minha própria vontade.

Todavia, sinto falta exatamente do não fazer, ou do fazer coisas simples, como aproveitar o lindo dia passeando nos arredores da casa, ou apenas aproveitando da varanda da casa, ver um filme, arrumar um pouco, mudar móveis de lugar, conversar, rir...enfim fazer coisas cujo preço não é possível descontar no cartão de crédito.

As pessoas, com gana de fazer tudo, aproveitar ao máximo, podem deixar de viver as coisas imprescindíveis, a felicidade no simples, na vida, na rotina, na conversa. Porque se não valorizamos estas coisas, o que deveria ser mais importante torna-se um pesar rotineiro que só se romperá com a adrenalina do aproveitar a vida. Isto talvez não seria um problema se a maior parte da vida não fosse construída por rotina.

Não, definitivamente, isso não é pra mim. Importa-me mais pessoas que lugares, mais sentir que fazer, mais viver que desbravar.

Por outro lado, não quero dizer que viagens não sejam importantes, são, se forem planejadas na atmosfera do cotidiano sentido e vivido. Como possibilidade e não condição...

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