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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Não somos como uma casa sem dono



Você conhece a si mesmo?

Conhecer-se a si mesmo exige que ultrapassemos as nossas expectativas sobre nós. Esperamos diariamente alcançar alguma coisa, seja um trabalho, um exame, um intercâmbio, uma promoção na carreira, um reconhecimento do/a parceiro/a, e tantas outras coisas. Acontece que mobilizados por aquilo que queremos e, às vezes, deparando com as limitações daquilo que temos ou com a realidade que vivemos, tendemos a não acreditar em nossa capacidade ou em nosso próprio sucesso e, tendencialmente, a se ver como um fracasso. E, facilmente, caímos na armadilha de comparar-nos aos outros.

Conhecer-se a si mesmo, portanto, não significa render-se às nossas expectativas. As expectativas são parte de nós, mas nelas não podem residir nosso todo. Pode, sim, residir toda nossa vontade, mas não toda nossa consciência e essência. Assim, o fato de não alcançarmos alguma meta que desejávamos não romperá com nossa própria estrutura. Porque ainda acreditamos em nós e em nossas faculdades de esperança.

É muito fácil render-se às vaidades materiais que maquiam a felicidade. Já nem refletimos sobre o sentido da vida, nem mesmo com a morte ao nosso lado, um erro que, embora saibamos,  não temos consciência.


Tomar consciência daquilo que já sabemos

A verdade é que saber, também, não implica conhecer. Afinal, todos nós sabemos quem somos, mas poucos de nós têm consciência daquilo que sabemos sobre nós. Por exemplo, tem pessoas que sabem que são muito nervosas, mas elas não conhecem seu nervosismo. O conhecimento ou a tomada de consciência significa: eu estou ciente de mim mesmo e, estou CONsciente. Consciência: estar com aquilo que sabemos. Por se tratar de uma discussão abstrata vou dar mais um exemplo.

Eu sei que tenho uma visita na minha casa. Esta visita ficará por cinco dias. Eu estou ciente disso, mas eu não estou na minha casa com minha visita. Por outro lado, eu poderia dizer que eu tenho uma visita na minha casa e estou em minha casa para receber e acolher minha visita. Agora não se trata de uma coisa que eu apenas sei, eu sei que tenho uma visita e estou com minha visita. Entendem?

Assim, voltando ao nosso exemplo do nevosismo, saber que estou nervoso/a, por exemplo, não implica em conhecer quando este nervosismo chega, como eu me comporto diante dele, como eu manejo este nervosismo e quando conheço que ele se foi. Quando uma pessoa sabe que ela é nervosa, ou ansiosa, ou sensível de mais etc., ela nem sempre tem controle de seus atos, ela apenas sabe. Quando ela sabe dos sentimento, e dispõe-se a ficar com eles em sua permanência , ela aprende a gerir tais sentimentos. Obviamente ela pode não determinar o fim dos sentimentos que não são bem vindos, mas ela pode adequar-se a eles. Então ao invés de os sentimentos indesejados a dominar, a pessoa vai assumir o controle dos mesmos.

E, tal como no exemplo da visita, ela embora possa não sentir-se à vontade na própria casa por haver uma outra pessoa, ela saberá agir de modo que possa ter um bom convívio.

E o que uma questão tem haver com a outra?

A este ponto vocês estarão se perguntando, e o que conhecer-se a si mesmo , expectativa e consciência tem haver entre si e com todos estes exemplos? Ora, a expectativa é como uma agradável ou desagradável visita que recebemos em nossa casa interior, ela estará na nossa casa, mas não significa que é da família por maior liberdade que a permitimos. Portanto, expectativa não é nossa casa interior, não é da família, embora por algum tempo possa fazer parte.  E se estamos CONscientes das nossas expectativas poderemos gerí-las de forma que ela nos cause tanto incômodo.

Se nós cremos em nossas capacidades, em nossa existência como essência seremos capaz de gerir nossas expectativas, nossos sentimentos, sem nos comparar aos outros. Porque saberemos que enquanto essência nós temos nosso processo de construção, da construção de nossa casa interior. Nosso corpo é nossa casa, nosso lar, não nos confundamos e nem queiramos ser nossas visitas.

Para finalizar, se você compreendeu este post, já não mais dirá de você mesmo: sou uma pessoa nervosa, sou uma pessoa sensível, sou uma pessoa fraca e nem mesmo sou uma pessoa feliz..
Somos uma pessoa e sentimo-nos nervosos, sensíveis, fracos, sentimo-nos feliz.. os sentimentos não nos definem, nem mesmo os bons sentimentos.. porque também podemos hospedar a tristeza e felicidade ao mesmo tempo. Logo, é isto que diremos sobre nós: sou uma pessoa que acolhe e conhece os sentimentos que hospedo.



Nana Andrade















segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Não me venha falar de Deus, se seu coração está cheio de ódio


Faça-me um favor,
não me venha falar de Deus se você só tem raiva no seu coração,
se não sabe perdoar,
nem tratar com amor as pessoas que não pensam como você,
Desculpa,
mas não gosto de hipocrisia.


domingo, 15 de novembro de 2015

Juventude e maturidade


Geralmente toda mulher que está próximo (ou passou) dos trinta anos se olha no espelho mais confiante e ao mesmo tempo mais indecisa que quando tinha 15, 18 anos.

A confiança advém do sentir-se mais bonita ou, pelo menos, na aceitação de si mesma, bem como na capacidade de direcionar seus impulsos e manias para resultados mais coerentes e produtivos.

A indecisão é o fruto da maturidade. Quando se tem 15, 18 anos o futuro parece muito distante, os riscos fazem parte e as certezas imperam. As experiências advindas dos fracassos, das decepções, das surpresas e das relações ensinam que a prudência pode ser uma aliada para uma vida mais saudável; e o tempo reforça a noção de finitude, daí que nenhuma decisão não é mais tomada como opção segura. O risco continua a fazer parte, as escolhas também; o que muda é a concepção e a gestão de tudo isso.

Portanto, conhecimento sem experiência não converge com o processo de maturidade.

Pensando nisso selecionamos 6 conselhos que uma mulher de 30 diria a si mesma aos 15.

Escute.

A cada decisão que considere importante, escute alguém mais velho de preferência duas ou três pessoas que não tenham a mesma opinião. Elas não devem decidir por você, mas podem abrir caminho para reflexão.

Você pode dizer não. 

Para fazer parte de um grupo ou para parecer "cool" muitos adolescentes e jovens cometem atos que os façam parecer mais descolados. E eles vão mesmo acreditar que serão. Terão vergonha se seu pensamento,  comportamento ou aparência não se adequam ao que outro espera.

Acredita na sua beleza. 

Não se compare a ninguém, outras pessoas irão diminuir sua beleza para engrandecer a delas próprias. Vista o que você sentir bem e peça opinião apenas de pessoas que você realmente confie. Dê a elas liberdade para opinar positiva ou negativamente, mas não tome a decisão delas como sua. Acredite, a beleza vem mesmo de um olhar sincero e cheio de brilho, de um sorriso verdadeiro, seu aspecto físico pode ser realçado por um profissional, sua beleza interior não.

Faça algum trabalho voluntário ou caridade. 

Um trabalho voluntário vai te tirar do seu centro, colocar-se no lugar dos outros e ajudá-los é uma escola de humanidade. E acredite, se você não aprendeu isto é provável que chegue à maturidade mais infantil infeliz que era aos seus rebeldes e incompreensíveis 15.

Liberdade tem preço.

Não, não estou a falar de consequências morais ou éticas ainda. Para ser mais realista digo uma frase que ouvi quando ainda tinha 15 anos e sempre me fez eco: se você quer liberdade tem pagar e ela custa caro. Portanto, arrume um trabalho. O trabalho vai proporcionar seus gastos com roupas, sapatos, viagens, mas também as tuas contas básicas. O trabalho é a parte responsável de sua liberdade. E cuidado, você será tentado a acreditar que um "baseado", o não ter hora para chegar em casa, as bebidas alcoólicas, e qualquer outra coisa alternativa é sinônimo de liberdade.

Não dê as costas a quem te ama. 

Quando somos jovens é comum termos muitos amigos ou um grupo em que somos bem vindos. A vida vai selecionando e afunilando. Você, aos trinta, vai perceber que perdeu tempo demais com gente e coisas que não valiam assim tanto a pena. E não é possível voltar atrás.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Tolerância: qual o limite?


Há algum tempo eu venho observando a mim mesma, e hoje me dou conta do quanto intolerante eu estou me tornando. 
Eu já critiquei muitas pessoas pela intolerância. O Facebook é a evidência da intolerância seja ela política, racial, artística ou ideológica. Ninguém tolera ninguém.  

No Brasil, a política mexe muito com a emoção dos brasileiros. Moro no exterior, tenho vários amigos de diferentes nacionalidades, e nunca vi nenhuma manifestação pessoal sobre política como no Brasil. Claro, há manifestações políticas em todo mundo. Mas estou a falar de situações corriqueiras. A cada eleição, e hoje mesmo que não seja ano de eleição, as pessoas estão brigando por política. É o nosso assunto a cada refeição, a cada encontro com os amigos, a cada publicação nas redes sociais. Um país similar seria a Itália. Mas ainda muito longe do que vejo no Brasil.

A intolerância racial e étnica já não é problema só no Brasil, este talvez seja mais forte em países europeus. O Brasil não fica atrás, mas de certo não chega perto do que presenciamos e vimos Europa afora.

Entretanto, não se trata de uma questão de quem é mais intolerante, esta discussão desvia o foco e nos torna ainda mais intolerante. 

Hoje me dei conta do quanto eu também estou intolerante. Intolerante com a própria intolerância. 
Deixei de ir a um estabelecimento comercial porque uma funcionária foi intolerante a uma minoria, que no caso não me dizia respeito, mas ainda assim tomei as dores. 

Afastei-me de pessoas que foram intolerantes em suas manifestações políticas. Evitei pessoas que foram intolerantes com o caso dos refugiados sírios. Fui igualmente intolerante com pessoas que criticaram os outros por trás.

O fato é que percebi que não há ninguém perfeito. E afastar das pessoas porque elas se mostram intolerantes com causas que você apoia, defende ou simpatiza não as resolve. Assim, eu também estava sendo intolerante.

Acredito que temos que tolerar até mesmo a intolerância.

Até porque não é apenas nossos argumentos que afetam o mundo, muito mais que isso é a nossa posição, nosso comportamento e exemplo.

Também nós seremos, cedo ou tarde, motivo de intolerância para outros, porque estamos todos sujeitos aos erros e desvios; e esperemos que os outros nos tolerem. A questão de tolerância e intolerância só vai mudar quando as diferenças forem respeitadas. Respeitadas em todos os sentidos.

Cada um de nós temos nossas razões e, talvez, o que nos falta para sermos mais tolerantes é justamente um exemplo, uma postura diferente. Virar as costas não resolve o problema da intolerância, pelo contrário, divide-nos, torna-nos extremistas e ainda mais intolerantes. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Ó pobre rei

Fonte: Rei – Edson Verti
O pobre rei
Já tinha tudo:
terras, homens, armas e o trono.
Mas encantou-se por conquistar
Chamou um de seus súditos
questionou como estavam a terras conquistadas:
seus povos mortos, nossos guardas feridos, a comida acabando, e a terra invadida.

Tão perdido nos encantamentos das conquistas, 
o pobre rei não media as consequências,
mas sofria ao sabê-las.

Mas aquela: 
ó terra prometida,
tão fértil,
tão querida
por um pobre rei
que só sabia conquistar

Preparou o exército,
comprou armas,
montou em seu cavalo tão cheio de coragem
e foi à frente

Ó pobre Rei,
ao chegar lá
viu-se tão determinado
mas ao olhar para os soldados,
que embora tão cansados
não o deixava de acompanhar

Ó pobre rei
que viu sua admirada terra:
tão querida aos seus nativos
mas que em pouco seria destruída

Ó pobre rei,
que ao levantar um lenço branco
 viu um sorriso fiel dos seus soldados famintos

Ó pobre rei,
 que sacrificou seu gozo
para não destruir a mais ninguém.

Ó pobre rei,
 que nem sequer sabia
ocupar as conquistas que fazia

Jogou o lenço branco,
parou sem começar
era tanto sacrifício
que a esta altura já não queria realizar

Deixou seu capricho,
por seu povo e seu exército
a quem nunca soubera reinar

Ó pobre rei.


By Nana Andrade




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Será que sou louco?

Fonte da imagem: The Hyperrealistic Sculptures of Ron Mueck


A loucura e a sanidade não são coisas opostas. São linhas tênues que caminham lado a lado; às vezes, de tão juntas, parecem uma coisa só.

Sanidade é invenção de uma sociedade normatizadora: que dita como devemos nos comportar, como devemos falar, comer, socializar, pensar e até amar.
A loucura é tudo aquilo que escapa a esta norma.

Mas a própria sanidade adoece-nos, enlouquece-nos.

A sanidade e suas normas são algo tão digerido que, em nossa necessidade de ser afirmar sãos, fazem-nos discriminar os "loucos", repudiá-los e ignorá-los.

Mas nós "normais", não nos sentimos culpados pela sanidade. Tão pouco nós "loucos" culpamo-nos pelas nossas loucuras. 

O sano que se viu louco, assim como o louco que já foi sano, são quem se sentem culpados.

Talvez a culpa de não poderem transitar naquilo em se "está sendo". 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Porque as mulheres não conseguem ficar sozinhas?


A mulher e o relacionamento

É mais comum encontrarmos homens solteiros que mulheres. Estas estão sempre em busca de um relacionamento sério e duradouro. De certa forma, a sociedade machista junto às questões biológicas cooperam para tal realidade. 

Neste post vamos falar sobre alguns dos motivos que as mulheres não conseguem ficar sozinhas, as consequências e como lidar com isso.


O excesso de expectativas

Apesar de negarem, as mulheres romantizam demais as relações e criam muitas expectativas. Muitas delas acreditam que o namorado será uma pessoa com quem elas viverão uma linda história de amor; será um bom companheiro para partilhar os planos; excelente companhia para jantares, festas ou encontros.

Entretanto, o excesso de expectativa sobrecarrega os relacionamentos. Àquelas que se apaixonam e começam apressadamente um namoro, o ciúmes e a insegurança podem provocar um excesso de controle do qual o companheiro não está à espera. 

 Ver por exemplo o post Mulheres controladoras

Estes sentimentos nas mulheres podem estar relacionados ao fato de que o outro não corresponda às suas expectativas de companheirismo, o que as leva a interpretar tal situação como uma possibilidade  de traição ou término.

A carência e a pressões sociais

Por outro lado, a carência pode ser uma outra grande vilã. O medo de ficar sozinha, o sentimento de rejeição (ainda que não o tenha vivido de fato) somado à pressão social de que mulher tem que casar e formar família; e considerando ainda o prazo biológico para a maternidade, tudo somado induzem muitas mulheres a iniciarem e manterem relacionamentos sérios mesmo que não tenham certeza dos sentimentos.

A sociedade machista

Com os homens, entretanto, nem sempre é assim. A sociedade  machista aceita e reforça a ideia de que se deve aproveitar a vida de solteiro. Nisto, eles são incentivados a desfrutar de relações passageiras e a assumirem relações sérias quando lhes for pertinente, sem pressão nenhuma. Isso, no entanto, não os eximem de entrar em relações doentias ou mal estruturadas. Afinal, apesar de toda esta liberdade, nem todos os homens a aproveitam como uma forma madura para viver uma relação saudável. Pois, mergulhados na liberdade sem compromisso, ou também por questões de carências, eles igualmente se perdem.

Eu falo sobre isto no post A realidade de ser quem se é

A relação como responsabilidade de dois

Uma relação não é responsabilidade de uma das partes. Os dois precisam buscar o equilíbrio e a renovação do afeto. O que se busca enfatizar, entretanto, é questão de ordem (em todos os sentidos) social, individual e biológica que a mulheres vivenciam e que não as ensinam a estarem com elas mesmas, sem pressão.

O que fazer?

Ninguém preenche vazio de ninguém, aliás acho até que vazios não foram mesmo feitos para estarem cheios. Nós, mulheres, mas também homens, precisamos amar a nós mesmos, incluindo nossos vazios.

Caso você leitora reconheça-se nesta situações, questione a si mesma sobre suas vontades, seus medos, suas expectativas e sobre a sua relação consigo mesma. Trabalhe e invista arduamente em si e aprenderá a ter relações saudáveis: ou seja, aquelas que não se movem por expectativas, mas por construções diárias. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Porque umas pessoas são mais humildes que outras?

Há muito tempo não venho aqui, entretanto, este blogue continua recebendo cerca de 40 visitantes por dia. Isso nos deixa imensamente felizes e motivados.

Bom, o post de hoje é sobre humildade

Desenho e texto pertencem ao autor do Blog

Ser pobre é sinônimo de humildade?

Não. Apesar de haver comumente uma associação de pobreza à humildade, estes dois conceitos não, necessariamente, andam juntos. Muitas pessoas, cuja situação econômica é baixa, não são humildes.

Humildade


Humildade tem a ver com a relação da pessoa e o próprio ego. A vaidade do ego não está apenas no dinheiro, ela está em diversas situações, como por exemplo: uma pessoa pode ser pobre mas, por ser branca, sente-se superior a um negro. Uma pessoa que não tem muito dinheiro, mas fez faculdade e aprendeu inglês, pode julgar-se mais inteligente que outros. Uma dona de casa pode se achar melhor que os outros porque sua casa é mais bonita. Enfim, motivos para as vaidades do ego não faltam.

Todo rico é esnobe?

Não. Uma pessoa que se dedicou, aproveitou as oportunidades e cresceu economicamente ou nasceu numa família economicamente bem estabelecida não é, por isso, esnobe. Humildade é um valor de caráter, um valor que não é genético; ele é socialmente construído. Portanto, depende muito mais das experiências e aprendizagens que a pessoa teve e tem.

humildade: questão de valores

Por isso, é importante que possamos conhecer as pessoas antes de julgá-las. Respeitar o ser humano e suas diferenças. Humildade é, antes de tudo, você ter todas as possibilidades para estar além, mas permanece ali, ao lado. Por exemplo: quando um grande e renomado professor ouve um aluno e se dispõe a aprender com este, quando um chefe escuta sabiamente uma sugestão do funcionário; quando uma mãe ou um pai entendem que também podem aprender com os filhos; quando uma pessoa muito rica vai à casa de uma pessoa mais pobre, e sente-se bem e confortável porque está a visitar um amigo... Portanto, é quando você poderia fazer tudo para atender uma vaidade egoísta, mas resolve conviver e aprender com os outros.


Ensinemos aos nossos filhos sobre humildade, não com palavras, mas com exemplos!


domingo, 10 de maio de 2015

Ser mãe devia ser algo a ser ensinado

Já ouvi de várias mães a seguinte frase: "ser mãe é uma coisa que a gente aprende apenas quando se é mãe".  Ao invés de "aprender", há outras vezes "entender", porém usados sempre com a ideia de perceber, dar-se conta... por isso eu prefiro usar o termo aprender para expor aqui a minha ideia geral sobre a sentença. O ser mãe que estas mulheres se referiam é o ter "parido". Talvez, na cabeça de algumas até tenham vindo o caso de adoção, no máximo isso, também.

Eu concordo e fico muito feliz com parte desta repetida sentença que escuto. "Ser mãe é uma coisa que a gente aprende" E fico igualmente triste e pesarosa que estas mulheres, ou algumas mulheres só descobrem a maternidade quando são mães. 

Digo isto porque acredito que ser mãe deveria ser algo a ser ensinado e aprendido muito antes de se ter um/a filho/a. Pensando que esta relação envolve  amor, cuidado, proteção e ao mesmo tempo desapego, respeito e compreensão, não é difícil compreender porque há tantos filhos maltratados, abandonados, relações traumatizadas e conflituosas, ou super protegidos, mimados, egoístas e etc...

Entendo que a educação dos filhos não é uma responsabilidade apenas da mãe, mas também do pai ou dos responsáveis pelas crianças. Entendo também que há mais relações, não apenas a dos pais, que as crianças estão submetidas, entendo que os pais têm mil coisas a se preocupar para manter a sobrevivência dos filhos. Mas nunca vou entender que, ao dispor de tempo mães, pais e cuidadores não tenham vontade. Ou, havendo vontade, não tenham tempo de brincar, educar e estar com os filhos. Isso não posso entender.

É por isso que defendo que todos nós devíamos aprender a ser mãe, com tudo que esta palavra nos traz de bom. Aprender a ser mãe não necessariamente para gerar filhos biológicos, mas para saber amar, educar e respeitar as crianças, os adolescentes e jovens com os quais lidamos de alguma forma numa relação que evoca este ser mãe. E, no caso da maternidade, possamos seguir no aprendizado diário e num exemplo que ensina e  inspira os demais.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Sonhos são orações

"Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço....

Porque se chamava homem
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases
lacrimogênios
Ficam calmos, calmos, calmos

E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
e basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração
Na curva de um rio, rio..." (Milton Nascimento)

Eu faço orações com música, através da música, de algumas músicas. Músicas embalam meus sonhos.

A vida é um momento único e curto. Desfrutemos-na no melhor que lhe obtemos obter em cada momento, seja ele algre ou triste. Vivamos agora e pensemos no futuro, nos sonhos, na gente, nas gentes.




quarta-feira, 25 de março de 2015

Como dizer o que penso sem magoar o outro?

Ser sincero não é fácil, principalmente quando estamos mais preocupados com o bem do outro que o nosso.

Por isso ser sincero é para poucos. A sinceridade implica em não temer o julgamento alheio. E, inclusive, ignorar as "caras feias". Significa que muitos vão se afastar. Pensando nisso, muitas vezes, estamos a medir o que dizemos, damos voltas, e passamos por cima de nossas vontades e, também, de nossas capacidades.

A sinceridade requer coragem. Mas ela é, definitivamente, libertadora.

Quando somos capazes de ser sinceros com o outro, vamos atrair pessoas também sinceras.

Todavia ser sincero não significa ser arrogante. É possível ser amável e gentil, mesmo dizendo um não a alguém querido, ou nem tão querido assim. Também é possível ser sincero numa discussão sobre algum tema sem desmerecer a opinião alheia. Contudo, obviamente, ela vai nos afastar de certas pessoas. Mas nos aproximará de outras.

Sinceridade pode até ser um dom de poucos, mas não tenho dúvida que é um aprendizado a ser exercitado todos os dias por cada um de nós.

É espinhoso o caminho da sinceridade, mas o perfume e a beleza da liberdade que brota de seu germinar é intransferível.

Assim, deixamos uma mensagem a todos/as que tem esta dificuldade, a de ser sincero/a, a de não magoar e a de evitar as tensões:

 "Encontremos um modo gentil e educado de experimentar a sinceridade e estejamos prontos para os bons grãos que restarão do chacoalhar de nossa peneira."




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Eu posso errar.

Todos nós muitas vezes nos deparamos com situações em que achamos que erramos. Por vezes, sentimos mal por isso. A vontade é de voltar atrás e ter a possibilidade de fazer de novo e corrigir os erros.

Neste post, e espero em nenhum outro, não tenho a intenção de questionar o mérito de erro algum. O assunto é outro. Quando erramos, amigos, religiosos e até profissionais trabalham com a ideia de que é preciso aceitar o erro para ultrapassá-lo.  E faz sentido.

Mas aceitar o erro, como algo estranho a nós mesmos ou à nossa intenção, parece eximir-nos de um direito que temos. Aceitar o erro é, praticamente, uma maneira de livrar-se da culpa. Mas sabemos que enquanto a culpa permanece a aceitação fica comprometida.

Assim, nesta reflexão, que não tem como objetivo ignorar outras maneiras de lidar com o erro, sugerimos:
Olhe-se no espelho, diga a si mesma: eu posso errar.

Ver a possibilidade de errar como um direito não nos dá necessariamente o direito de sair cometendo todos atos que julgamos errado. Mas, dá-nos sim o direito de entendermos nossa finitude, nossa pequenez. Eu sei que posso errar. E nisto está minha humildade.

Eu não quero errar, mas eu posso. Assim digo a mim todos os dias quando levanto. Olho para mim e digo: ei, você pode errar. Daí, é muito provável que numa conversa eu não julgue que minhas ideias estejam mais corretas que as do demais. Nem vou insistir em criar palavras difíceis ou falar mais alto. Não vou sequer jogar na cara do outro o meu título de estudo para impor a minha grandeza e meu conhecimento.

Eu posso errar, então aceito tranquilamente que eu possa estar enganada.

Eu posso errar. Então não me envergonharei diante dos meus colegas tão estudados. Eu posso errar, por isso, da mesma forma, entre meus colegas de Facebook ou de festas, não vou me diminuir ou engrandecer para fazer valer uma ideia.

Eu posso errar, por isso ainda àqueles que esperam  (ou que eu acredito que eles esperam) que eu seja sempre um bom exemplo, eu não irei me podar.

O medo de errar é muitas vezes o medo do que o outro vai pensar. Ou o medo do que o outro julga e determina como certo. Assim, às vezes, errar (mesmo enquanto uma tentativa de acertar) é um elemento do outro que nós tomamos como nosso.

Mas, se eu penso que posso errar, não fará muita diferença que este seja uma questão de valor meu ou do outro. Eu posso errar.

Mesmo querendo acertar todos os dias eu sei do meu direito de errar. É por isso que não terei medo de dizer o que penso, de escrever o que sinto e acredito, de fazer o que julgo bem para mim. E em tudo isso eu posso errar. Assim, não perderei tempo preparando a defesa quando me apontarem o erro. Nem mesmo vou deixar de arriscar por medo de errar. Porque eu posso errar, vou viver. E espero acertar!




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