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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Ó pobre rei

Fonte: Rei – Edson Verti
O pobre rei
Já tinha tudo:
terras, homens, armas e o trono.
Mas encantou-se por conquistar
Chamou um de seus súditos
questionou como estavam a terras conquistadas:
seus povos mortos, nossos guardas feridos, a comida acabando, e a terra invadida.

Tão perdido nos encantamentos das conquistas, 
o pobre rei não media as consequências,
mas sofria ao sabê-las.

Mas aquela: 
ó terra prometida,
tão fértil,
tão querida
por um pobre rei
que só sabia conquistar

Preparou o exército,
comprou armas,
montou em seu cavalo tão cheio de coragem
e foi à frente

Ó pobre Rei,
ao chegar lá
viu-se tão determinado
mas ao olhar para os soldados,
que embora tão cansados
não o deixava de acompanhar

Ó pobre rei
que viu sua admirada terra:
tão querida aos seus nativos
mas que em pouco seria destruída

Ó pobre rei,
que ao levantar um lenço branco
 viu um sorriso fiel dos seus soldados famintos

Ó pobre rei,
 que sacrificou seu gozo
para não destruir a mais ninguém.

Ó pobre rei,
 que nem sequer sabia
ocupar as conquistas que fazia

Jogou o lenço branco,
parou sem começar
era tanto sacrifício
que a esta altura já não queria realizar

Deixou seu capricho,
por seu povo e seu exército
a quem nunca soubera reinar

Ó pobre rei.


By Nana Andrade




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Será que sou louco?

Fonte da imagem: The Hyperrealistic Sculptures of Ron Mueck


A loucura e a sanidade não são coisas opostas. São linhas tênues que caminham lado a lado; às vezes, de tão juntas, parecem uma coisa só.

Sanidade é invenção de uma sociedade normatizadora: que dita como devemos nos comportar, como devemos falar, comer, socializar, pensar e até amar.
A loucura é tudo aquilo que escapa a esta norma.

Mas a própria sanidade adoece-nos, enlouquece-nos.

A sanidade e suas normas são algo tão digerido que, em nossa necessidade de ser afirmar sãos, fazem-nos discriminar os "loucos", repudiá-los e ignorá-los.

Mas nós "normais", não nos sentimos culpados pela sanidade. Tão pouco nós "loucos" culpamo-nos pelas nossas loucuras. 

O sano que se viu louco, assim como o louco que já foi sano, são quem se sentem culpados.

Talvez a culpa de não poderem transitar naquilo em se "está sendo". 
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