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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Tolerância: qual o limite?


Há algum tempo eu venho observando a mim mesma, e hoje me dou conta do quanto intolerante eu estou me tornando. 
Eu já critiquei muitas pessoas pela intolerância. O Facebook é a evidência da intolerância seja ela política, racial, artística ou ideológica. Ninguém tolera ninguém.  

No Brasil, a política mexe muito com a emoção dos brasileiros. Moro no exterior, tenho vários amigos de diferentes nacionalidades, e nunca vi nenhuma manifestação pessoal sobre política como no Brasil. Claro, há manifestações políticas em todo mundo. Mas estou a falar de situações corriqueiras. A cada eleição, e hoje mesmo que não seja ano de eleição, as pessoas estão brigando por política. É o nosso assunto a cada refeição, a cada encontro com os amigos, a cada publicação nas redes sociais. Um país similar seria a Itália. Mas ainda muito longe do que vejo no Brasil.

A intolerância racial e étnica já não é problema só no Brasil, este talvez seja mais forte em países europeus. O Brasil não fica atrás, mas de certo não chega perto do que presenciamos e vimos Europa afora.

Entretanto, não se trata de uma questão de quem é mais intolerante, esta discussão desvia o foco e nos torna ainda mais intolerante. 

Hoje me dei conta do quanto eu também estou intolerante. Intolerante com a própria intolerância. 
Deixei de ir a um estabelecimento comercial porque uma funcionária foi intolerante a uma minoria, que no caso não me dizia respeito, mas ainda assim tomei as dores. 

Afastei-me de pessoas que foram intolerantes em suas manifestações políticas. Evitei pessoas que foram intolerantes com o caso dos refugiados sírios. Fui igualmente intolerante com pessoas que criticaram os outros por trás.

O fato é que percebi que não há ninguém perfeito. E afastar das pessoas porque elas se mostram intolerantes com causas que você apoia, defende ou simpatiza não as resolve. Assim, eu também estava sendo intolerante.

Acredito que temos que tolerar até mesmo a intolerância.

Até porque não é apenas nossos argumentos que afetam o mundo, muito mais que isso é a nossa posição, nosso comportamento e exemplo.

Também nós seremos, cedo ou tarde, motivo de intolerância para outros, porque estamos todos sujeitos aos erros e desvios; e esperemos que os outros nos tolerem. A questão de tolerância e intolerância só vai mudar quando as diferenças forem respeitadas. Respeitadas em todos os sentidos.

Cada um de nós temos nossas razões e, talvez, o que nos falta para sermos mais tolerantes é justamente um exemplo, uma postura diferente. Virar as costas não resolve o problema da intolerância, pelo contrário, divide-nos, torna-nos extremistas e ainda mais intolerantes. 

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