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sábado, 31 de dezembro de 2016

E quem não quer celebrar o ano novo?

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Hoje é o último dia do ano de 2016. 
Quem vai celebrar que o faça com vontade. Quem não vai sair de casa, seja porque as contas não permitem ou porque está cansado/a ou porque não gosta dessas festas mesmo, fique em casa em paz. Não temos que fazer algo porque nos colocaram que o dia de hoje não é pra rotina; que todos estão comemorando, viajando, arrumando-se. Não temos e não devemos fazer nada porque as mídias sociais nos pressionam.

Hoje o dia pra mim tem sido bem rotineiro e será como um final de semana qualquer, sem nenhuma euforia. Vou aproveitar pra ver um filme ou dormir mais cedo e acordar disposta amanha. Talvez eu vá ver a série "The OA" uma série estranha, acho que ruim, mas comecei e não queria parar de ver.

É assim...desejo também aos meus amigos e familiares que aproveitem o dia como podem, como desejam e não como acham que tem ser. Vamos entrar em 2017 sendo mais nós mesmos, fazendo mais para nós..

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sobre tolerar o erros

Uma aluna de português como língua estrangeira, que iniciou recentemente o curso comigo, tem demonstrando muitas dificuldades na aprendizagem de um novo idioma. Ela fala inglês, língua nativa, e nunca aprendeu outra língua. É jovem, mas tem muito medo de errar.

Preparei uma aula com muito cuidado, onde procurei ser o mais clara e efetiva possível. Elaborei uma tarefa especialmente pra ela. Quando ela me devolveu percebi que estava tudo errado. Não havia nada que eu não precisasse comentar e corrigir.

Quando fui devolver este exercício para esta aluna fiquei pensando como lhe dar um feedback deste trabalho, sem um aparente sucesso, e não desmotivá-la por isso?

Foi então que fiquei olhando para a tarefa ali em minha frente, pensando em suas expressões de quem queria acertar e ao mesmo tempo tinha tanto medo de errar e pus me a escrever estas palavras

Image result for flores cartum"Eu corrigi sua tarefa. Estou muito orgulhosa por você ter tentado. Eu acredito que a coisa mais importante quando estamos aprendendo algo novo (não apenas língua) é tentar e tentar sem medo de errar. Pois, errar é parte de qualquer processo. Então, olhe seus erros, veja meus comentários e correções e tente esta outra tarefa. Se você tiver dificuldade eu estou aqui, não espere até a outra aula para me perguntar. Estou feliz por ajudá-la."
Sua resposta de agradecimento e palavras de compromisso vieram em seguida.

Consciente de que a relação de ensino-aprendizagem envolve muito mais que saber e não saber, comecei a pensar sobre as tantas pessoas que ocupavam o lugar de educadores ou de quem nos deviam instruir de alguma forma, mas que diante de uma pequena falha agiram de forma ríspida, impaciente e intolerante aos nossos erros, ou quantas vezes nós mesmos não agimos assim com outras pessoas.

Portanto, não resto dúvida. Só o amor, a paciência e a tolerância pode fortalecer e desenvolver uma relação madura e saudável de ensino-aprendizagem tantos nos contextos formais de educação quanto nas nossas rotinas de educadores diários como pais, tios, irmãos, filhos, políticos, religiosos, maridos, esposas, namorados e até mesmo nossa relação pessoal.

Nana Andrade

terça-feira, 5 de julho de 2016

Deixe ir.

Deixe ir

O que tem de ir vai.
Nós temos de aprender a parar de nos culpar por tudo.
por mais perfeito que tenhamos sido,
por mais loucos que nos tenham sido atribuídos,
nada disso, em si mesmo, reflete a nossa verdade.
Nem a culpa

Deixe ir o que não veio,
não foi nosso devaneio,
nem nossas impulsividades,
não foram as gargalhadas altas,
o pensamento infantil,
a liberdade da alma e do corpo,
não foram as inquietações
ou qualquer outra culpa com que queira se punir.

Deixemos ir aquilo que já se foi.
Nós permanecemos lá no mesmo lugar, embora já não sejamos mais os mesmos.
O sopro da vida demanda erros,
ninguém nasce sabendo,
não ha saber pronto,
não há experiência que a sacia,
e não volte atrás se tudo já partiu.

Deixe ir sem tormento,
Não te cabe mesmo esta decisão
Por isso mesmo não se culpe
Não lamente

Se não fosse o vento,
no seu descuidado,
arrancando as folhas e flores e suas sementes,
revelando a fragilidade dos troncos impotentes
fazendo ruídos através de seu sopro desajeitado
não estaríam muitas espécies fadadas à extinção?

Deixemos ir.
Se a semente não morre, nada há de nascer.





segunda-feira, 27 de junho de 2016

Navegar é preciso, viver não é preciso


'Olhei para o mar e aquietei-me, 

sua imensidão pôs em evidência minha pequenez. 

O vai e vem das ondas mostrou-me que, 

apesar dos dias conturbados, 

é possível manter-se em seus domínios...


Além disso, eu vi rochas transformadas pela agitação da água.


A linha no extremo mar, que demarcava um não limite do seu fim, deu-me esperança e medo. 

Esperança porque há sempre o que buscar, avançar e encontrar. 

Medo porque não temos o controle. 


Sim, "navegar é preciso, viver não é preciso".'


Desejo uma boa semana para todos e todas, escutemos as ondas que nos chacoalham, é dai que também virá a calmaria.




quarta-feira, 15 de junho de 2016

Deixe ir o que já se foi.


Quando eu estava no quinto ou sexto ano escolar uma das coisas que mais gostava na aula de português eram as poesias contidas nos livros didáticos. Óbvio que os professores daquele tempo usavam as poesias apenas para trabalhar gramática e normas da língua portuguesa. Não havia uma reflexão sobre a leitura. Talvez julgassem que nós crianças não a podia fazer. Mas algumas histórias ficaram gravadas em minha mente. Uma delas é "A menina do leite" de Rosa Ramos.

Hoje encontrei a poesia e percebi que, na altura, não a tinha conhecido por completo. O nosso livro apenas contia um trecho, exatamente o que eu irei colocar aqui abaixo. Confesso que gostei do recorte que tínhamos, a poesia completa quase que já te dá uma lição de moral. E, pra mim, uma boa literatura é aquela que não diz a você o que há dito, mas te faz pensar no tanto que se há por dizer.


"Num dia primaveril,
Claro e ensolarado,

Seguia aquela menina

A caminho do mercado.


Com seu jarro na cabeça

Oferecia e sorria:

- Olha o leite! – Olha o leite!

Este era o seu dia a dia.
...
Caminhava tranqüilamente,
Suavemente, imitando
Quase que um passo de dança,
Alegremente pensando:


“Venderei todo esse leite,

Com o dinheiro comprarei

Cem ovos. E cem pintinhos

Logo, logo, pois, terei.”
“Os pintinhos vão crescer,

Então eu os trocarei,

No mercado, por um porco

Ao qual engordarei”.

“Quando ele ficar roliço

Então eu o trocarei

Numa vaca com bezerro,

A quem alimentarei”.
“Sendo bem alimentada,

Muito leite ela dará,

Com o qual farei muitos queijos.

E o bezerro crescerá

Forte e sadio...” – Já estou

Vendo o bichinho correr

No campo, entre as ovelhas!

Diz ela, a estremecer.

Há em seus olhos um brilho

De puro contentamento.

E a menina esquece

Do jarro, por um momento.
...
Com o movimento brusco
O jarro escorregou
E se desfez em pedaços
Quando na terra tocou,


Como os sonhos da menina.

O leite se esparramou

Derramado no caminho.

Só chão molhado restou.
..."
Na época me lembro que tive uma empatia grande pela menina, e fiquei mesmo com muita pena. Essa história está sempre na minha mente, hoje partilho aqui a minha reflexão, que não tem nada a ver com lição de moral sobre como devemos nos proceder. Eu acredito que a experiência da menina foi sim dolorosa, ela tinha sonhos, e sonhar não pode ser um erro. 
Sonhar deu-lhe imensa alegria. Os olhos marejados após o leite derramado é humano, ela não sofria só pelos sonhos que  se iam, ela perdeu o que tinha. Mas, fato é que só o leite se foi. 

Os sonhos nunca existiram enquanto realidade, não se perde o que não se tem. 

Mas o choro é mais pelos sonhos, porque ela não queria o leite, queria os sonhos. Às vezes, em nossa vida, nós também sonhamos, e desejamos um mundo de coisas boas a partir de um "leite" que temos. Acreditamos na capacidade fazê-lo render, crescer. Mas não podemos controlar tudo, lá estava uma pedra, ela tropeçou. 

Ela não pode ficar ali no chão a lamentar-se toda vida. O leite não volta mais. Os sonhos, entretanto, sim. Eles não estão num objeto, no outro, num trabalho, estão em nós. E é isso que lhe restou; a capacidade de sonhar e alegrar-se com isto.
Vai ser necessário, reerguer-se, trabalhar e tirar novo leite. Mas ela já conhece o caminho, as pedras que ali estão. Tudo nos serve de aprendizado. O encantamento e a alegria não foram os responsáveis, ela não foi culpada. Culpar-se não trará o leite derramado ao jarro. Deixe ir o que já se foi...o leite, mas não seus ideiais.

E diga-me, sinceramente, se nesta poesia não foi o sonho a coisa que mais fez sentido para que ela existisse? Não haveria poesia se não fosse o sonho, o encantamento. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A difícil realidade de ser quem se é


Ela desejou naquele dia nascer homem. Embora gostasse de si, de sua beleza feminina, ela desejou ter nascido homem.
"O mundo não parece muito mais fácil para eles?" Questionou a si mesma num pensamento profundo e quase silencioso, se não fosse seu olhar vagueando e gritando tudo.
Os homens, para além de todas as conquistas profissionais, são os que cuidam, que protegem..."oh, que poder lhes é dado para ocuparem tal posição!".
Se já não bastasse, nos relacionamento, eles não precisam se apaixonar, podem sair por aí a curtir com todas, a experimentar a beleza e o sexo descomprometidamente. "Eles podem, este poder lhes foi  também dado."
Não precisam, quase que nem devem, aturar as discussões de relacionamento, as DRs que nós mulheres insistimos tanto. E podem esperar longos meses, anos para perceberem se o que sentem é de fato amor sem, com isso, correrem o risco de serem rejeitados. Não, não o serão, porque enquanto pensam,  enquanto decidem, seguem conquistando e ouvindo as mais belas declarações. "Oh, que poder lhes foi concedido".

Submersa em seu pensamento, lá pela madrugada, ela dormiu.
Às sete o despertador tocou, era ele tendo que correr porque tinha que ir procurar trabalho. Estava desanimado após ouvir tanto não. Tinha 28 anos, nesta idade não lhe era permitido não ter ainda encontrado um bom trabalho. Apesar da qualificação, aceitou aquela entrevista. Conseguiu o emprego: porteiro naquele prédio de ricos.
Talvez ele agora pudesse ao menos conseguir uma namorada. Talvez uma mulher o aceitasse e confiasse que ele a pudesse 'assumir'. Como se tivesse que assumir alguém.
Fim de semana chegando sabia que poderia ir ao baile onde ela sempre aparecia. Talvez ele tivesse coragem agora de chegar e dizer... Não, não queria bancar o idiota e dizer todos seus sentimentos, os amigos o tinham instruído, ia convidá-la para um jantar, qualquer coisa assim. Claro, se ele tivesse coragem. Afinal, aqueles caras que frequentam academia/ginásio, trabalham em escritório, que vivem pegando todas, sempre têm mais chance.
Se não fosse tão tímido, ou se fosse mais vistoso, ou se tivesse um trabalho melhor... Tomou um copo de cerveja para engolir aquele nó no pescoço. Era só o que faltava começar a chorar agora!

Neste momento ela acordou...ficou pensativa todo o dia. Um pensamento tão confuso que ela não conseguia traduzir.

Mas já sabia que não queria nascer homem, talvez outra sociedade, haverá outra com outros princípios, outros valores? Uma sociedade que não reprima seus homens e suas mulheres? Haverá uma sociedade menos formatada?

Ou deveria ela subverter, contrariar e, quem sabe um dia, fosse compreendida por um outro tão subvertido como ela?

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Deus não é ninguém


Quem é Deus se não a representação simbólica de uma imagem que aprendemos na igreja?
Eu, há muito tempo, acreditei num Jesus milagroso, um Deus todo poderoso, porém mais justo que bom. Assim, este Deus apesar de me aceitar pecadora, exigia de mim não pecar para estar com ele. E o que é pecado se não normas interpretadas por homens (homens literalmente, as mulheres não estão incluídas) como condição para ir ao paraíso.

O paraíso, o que é? Supostamente um lugar sagrado onde vou me encontrar com Deus. Então Deus não está aqui?

Falar de Deus demanda que acreditemos em proposições, em imaterialidades, em ideias, desejos etc.. Mas de quem são, ou por quem foram propostas todas prerrogativas sobre Deus? A bíblia. Um livro escrito por homens que viveram num determinado contexto, formatados por determinados valores sociais.

Eu quis ser religiosa um dia. participei de encontros religioso de jovens, quis ser freira. Eu tava procurando Deus.

Hoje, todavia tenho cultivado em mim a minha própria representação de Deus. Não espero que seja certa, é apenas minha própria e legítima concepção que, apesar de influenciada pela igreja, passao ao largo dos domínios da mesma. Nisto, vou partilhar um pouco do que penso ser uma visita de Deus em minha vida.

Estava eu sentada com uma outra pessoa num café. Já haviámos feito os pedidos. Enquanto aguardávamos, chega um senhor estende a mão e cumprimenta-nos. Minha bolsa estava sobre a cadeira ao meu lado. O senhor olhou para ela como que precisasse ser retirada para que ele se sentasse. Eu retirei e ele sentou-se. Perguntou-me o preço do café, eu disse que seria aproximadamente 65 cêntimos. Ele reclamou, disse que o café estava caro, em outro lugar ele poderia comprar por 50. Fez-nos algumas perguntas, comentou sobre o tempo. O dono do café se aproxima e ele o pergunta o preço do café. Ao ouvir, reclama que está caro. O dono do café diz que ele só poderia se sentar ali se fosse pagar para consumir. O tal senhor continua a reclamar do preço do café, mas, a seguir à saida do dono do bar, continua a conversa conosco.

Eu estava um pouco sem graça, afinal não o conhecia. Ele comentou sobre o café que bebíamos e a comida que comíamos, nada demais. Reclamou que não lhe fora servido um café, embora ele não tivesse pedido.
Eu me levantei e pedi um café pra ele. O café chegou, ele reclamou num tom tranquilo e seguro sobre o atraso. Continuou a conversa com a gente. Falou um pouco de si. Ao terminar o café, levantou-se despediu de nós e foi-se embora. Não mencionou pagar o café, não agradeceu, mas despediu-se educadamente.

O dono do bar se aproxima e pergunta se conhecíamos o tal senhor, eu digo que não. Ele disse que se soubesse não o teria deixado sentar-se ao nosso lado. Ter-lhe-ia mandado embora. Eu argumentei que ele não incomodou, talvez não estivesse bem da cabeça, e um café não me custaria nada.

E o que isto tem a ver com o papo de Deus. Porque, para mim, Deus não vai surgir numa grande auréola com anjos e santos lhe fazendo coro. Deus, foi aquele homem desconhecido que sentou-se ao meu lado sem me conhecer, que pediu um café e conversou despreocupadamente. Não, não penso que Deus virá sempre para pedir como quem vem testar se sou boa pessoa ou não. Deus me vem através de um sorriso e um estímulo de um amigo. No silêncio, na natureza, no desconhecido, na despretensão eu encontro Deus.

Não sigo dogmas, nem pago dízimo, mas o que puder farei pelo outro quando sentir-me tocada e quando puder fazê-lo. Não sou religiosa, cultivo a religiosidade que passa pelo respeito ao próximo e a mim mesma. E posso errar, porque terei eu mesma que arcar com estas consequências. Não vivo pensando em não cometer erros, vivo pensando que posso aprender com tudo, que posso crescer e evoluir.

Mas quem sou eu pra dizer quem é Deus. Eu não sou ninguém. Mas em outros "ninguém" que também tenho encontrado Deus.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ele/Ela não me quer mais, o que fazer?

A maioria das pessoas que procuram um psicólogo o fazem por questões afetivas. E, geralmente, quando perderam ou sentem-se ameaçadas a perder a pessoa amada. As queixas são envoltas em ciúme, tristeza, falta de amor próprio, carência, ansiedade e depressão.

Na verdade, são pessoas que se perderam no meio do caminho. Que de tanto ficar em função de alguém, deixaram de viver a própria vida. E já não sabem o sentido da própria existência.

Vou ser breve neste post. O primeiro passo diante de uma situação como esta é a aceitação de si mesmo, aceitação dos sentimentos, da dor e do medo. Não é possível ignorar isso. Temos que ter coragem de enfrentar tais sentimentos e emoções que nos consomem. Olhar e aceitar. Nós podemos conviver com isso e este é nosso principal desafio. Conviver com aquilo que nos machuca sem permitir que isto tire nossa vida.

Tomar consciência de nossa vulnerabilidade, aceitar as nossas dores é o primeiro passo para conviver e superá-las. A dor é apenas uma parte de nós. Todo sentimento e emoção que vêm a nós por questões afetivas não são toda nossa dimensão de existência. Portanto, tomemos nossa vida em nossas mãos, seguimos com nossas emoções sem negá-las, aceitando-as sem alimentá-las.

E entregando ao tempo aquilo que nós não temos o controle. O tempo tratará de nos ajudar no caminho árido mas promissor que nós decidimos percorrer.


terça-feira, 3 de maio de 2016

Você é uma pessoa intuitiva?

A ciência, nos último anos, avançou de modo surpreendentemente. Mais no que se refere ao  nosso meio externo que interno. O homem em suas capacidades espirituais, mentais, anímicas e emocionais permanece envolto em mistérios e incertezas, não obstante diversos estudos em todos os sentidos.

Assim é o caso das pessoas com capacidade natural ou desenvolvidas para a intuição. Assistindo a uma série americana "Lie to me" acabei por ler alguma coisa a respeito. Na verdade, não é a primeira. Também neste blog, já falei sobre intuição com outras palavras aqui. Este tema, entretanto, tem tomado outro destaque em minha vida.

As pessoas intuitivas não, necessariamente, veem nenhuma estranheza nisso, e também nem sempre têm a certeza se de fato são intuitivas. Não há, obrigatoriamente, uma confirmação dos fatos. E, uma vez que há poucos estudos sobre isso, também não se dá muita credibilidade.

Mas as pessoas intuitivas estão aí, entre nós. Todos nós temos esta capacidade, a maioria de nós não a desenvolve. Um seleto grupo vai desenvolver naturalmente a partir da experiência e do contexto em que vivem/viveram.

Como reconhecer em nós a sensibilidade à intuição? Devemos seguí-la? Ela é algo bom? Como posso ter certeza que sou intuitivo/a?

Conheci várias pessoas que se dizem intuitivas, para isso apontaram casos mirabolantes de adivinhação sobre outrem, mas ser intuitivo nem sempre é fazer previsão do futuro, embora alguns tenham esta capacidade de perceber as energias positivas ou negativas que estão chegando. A partir da partilha de pessoas intuitivas vou enumerar aqui um conjuntos de características que, mais ou menos, fazem-se presente nas pessoas verdadeiramente intuitivas.

1. Num primeiro contato com uma pessoa reconhecem a vibração positiva ou negativa das pessoas.

Já ouviu aquela frase: "meu santo não bateu com o dele?" Pois bem, pessoas intuitivas que num primeiro contato sem nenhum fato concreto ou "real" não possuem motivo para julgar uma pessoa, são ainda capazes de perceber se alguém tem uma energia boa ou ruim. Ou seja, se são pessoas positivas, transcedentes, altruístas etc. É importante destacar que nós não nos dividimos em seres bons e ruins, somos este misto, mas o fato de erramos em algum momento de nossa vida não significa que somos ruim ou temos energia negativa. Este reconhecimento da pessoa intuitiva, ultrapassa este binário e é capaz de sentir a alma da pessoa em sua grandeza, as intenções, a capacidade de amar.
Em alguns casos, a pessoa intuitiva não consegue sentir energia das pessoas em volta, isso porque alguns de nós, raríssimos, também tem uma capacidade de ficar neutro nesta troca de energia em determinados ambientes. Conhecer a energia deste pequeno grupo leva um tempo.

2. Capacidade de detectar mentira

A série "Lie to Me" mostra profissionais e pessoas que desenvolveram naturalmente o dom de intuição de reconhecer se as pessoas estão mentindo, assim como de perceber o que estão sentindo através da análise da expressão facial. O corpo fala, há alguns estudos sobre isso. Todavia, é preciso ter cuidado com isso, não dá para pegar um livro e sair aplicando como se fosse um manual infalível. Uma pessoa realmente intuitiva não faria isso. A leitura da expressão, especialmente no caso da mentira não está apenas nas expressões faciais, assim como quem acompanha a série pode ver, os supostos profissionais também seguem os fatos. Intuir não é só premeditar, é sentir ou não sentir-se tocado. E acusar alguém de mentir com base num crença unilateral pode ser muito arriscado. Mais do que intuir a mentira é preciso também certa empatia para compreender o motivo desta.
Assim, pessoas intuitivas nem sempre vão jogar na cara de ninguém que o outro está a mentir, é possível entretanto que elas afastam-se destas pessoas até porque viver por muito tempo na mentira não atrai boas energias, consome as pessoas envolvidas.

3. Facilidade em fazer amizade com as crianças, especialmente as menores

Todos nós já ouvimos dizer que as crianças são puras e não mentem. Sabemos que isso não é tão verdade assim. Infelizmente, muitas crianças são desde cedo inseridas num contexto onde a maldade e a mentira são lhes ensinadas pelos exemplos. Contudo, as crianças, não estão com o carácter definido e por isso elas são muito mais receptivas que os adultos. Por este motivo também são mais expressivas. As pessoas intuitivas conseguem conquistar o coração das crianças porque tem uma alta capacidade de empatia. A energia entre elas circula de modo mais livre e a capacidade de amar, sem julgar e de dizer a verdade também. A pessoa intuitiva não apenas gosta de crianças, sente-se bem em interagir com elas. 

4. Conhecem bem a si mesmas

Uma pessoa intuitiva desenvolve não apenas a capacidade de conhecer o outro mas a si mesma. Conhecem o próprio corpo, por exemplo, uma pessoa intuitiva passa mal porque comeu algo que não lhe caiu bem, quando ela sente o mal estar, imediatamente, consegue reconhecer qual foi o alimento que lhe fez mal. Ela também sabe o que comer, num caso que está doente e falta-lhe apetite, isso porque ela sabe o que o corpo aceita. É normal que sejam bastante sintomáticas, pessoas sensíveis e intuitivas reagem imediatamente com o corpo diante de um fator (emocional, profissional, intelectual) que lhes causou desprazer. Na maioria das pessoas, alguns sintomas também vão aparecer, elas entretanto não saberão compreendê-los buscando o tratamento medicamentoso. Outras tantas nem se apercebem e acabam por desenvolver doenças mais sérias. 
Uma pessoa intuitiva conhece bem seu sentimento, seus pontos fortes e fracos. Óbvio que isto não as torna imune de saber lidar sabiamente com isto. Mas por conhecerem a si mesmas, elas não se afundam no oceano, mas nadam na direção ou na tentativa de encontrar o ar. 

5. São expressivas embora introspectivas

Pessoas intuitivas são muito expressivas, a verdade está no olhar das mesmas. E é tão transparente que mesmo ao encontrar pessoas não tão intuitivas estas poderão ser capazes de perceber seus verdadeiros sentimentos. Algumas são pessoas tímidas, geralmente mais silenciosas. Outras não, são pessoas criativas que se envolveram na arte e aprenderam, apesar de conviver bem com a solidão e o silêncio, a socializar e estar em grupo. Em qualquer caso, elas nunca passam despercebidas; pois mesmo no silêncio, o olhar e o sorriso revelam sua alma.

6. São amorosas e solidárias

Ser amorosa não significa ser uma pessoa melosa ou que expressa isso em palavras. As pessoas intuitivas, raramente, vão dizer que amam com as palavras. Elas sabem do limite dessas, apesar da importância. Além disso, elas podem encontrar certa dificuldade em expressar verbalmente alguns sentimentos, mas seus gestos e postura revela o amor e a caridade que caminha lado a lado com elas.
Isso não significam que sejam pessoas bobas, pelo contrário, a capacidade de intuir todas as outras coisas anterior fazem delas pessoas inteligentes o suficiente para reconhecer um articulador, manipulador que tenta se aproveitar dessa face aparentemente genuína e bondosa. Mas ser intuitivo é ser de uma dureza em situações que outros já não conseguiriam.

7. Prestam atenção nos sonhos

O sonho nunca é só um sonho para uma pessoa intuitiva. Os sonhos são para estas ferramentas importante na compreensão delas próprias e do meio que as circula. O sonho é um modo de comunicação com a alma, com o incosciente. Na psicologia é comum o tratamento através de sonhos, caso o paciente/cliente seja uma pessoa intuitiva o terapeuta de certo que aprende muito também nesta troca. Ambos sairão enriquecido, porque se um tem a técnica de interpretar o outro a intuição natural: o resultado não pode ser melhor na busca do autoconhecimento.

Há certamente outras características de uma pessoa intuitiva, Foram citadas apenas algumas delas. Você se sente uma pessoa intuitiva, o que te faz crer que você seja uma pessoa intuitiva? O que você tem feito com isso pra sua experiência e evolução própria? E como tem influenciado seu meio?
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