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segunda-feira, 26 de junho de 2017

O jogo, o tempo e o espaço nas relações amorosas


Neste post vou falar sobre o jogo: aquela mania que mulheres e homens têm de dizer ou fazer uma coisa, pensando outra para ver/perceber a relação do parceiro; o tempo: aquela espera necessária que os apaixonados desconhecem quando se envolvem numa relação; e o espaço: aquilo que um dos parceiros, cegos de paixão, tira ou sufoca no outro.

O jogo

Muitas pessoas no ínicio de relacionamentos têm medo de se expressarem. Dizem não, quando querem dizer sim. Ou dizem sim, mesmo se gostariam de dizer não. Elas evitam falar o que estão sentindo até perceber "qual é" a do outro. Como se esta fosse uma obrigação do outro começar.

Conheço pessoas que mantém-se frias ou demoram a responder as mensagens no telefones para "dar uma de difícil". Esse é o chamado jogo da conquista, acredito que é o lado infantil nosso se manifestando nessa brincadeira que tem lá algum prazer. Por outro lado, isso também demosntra o medo e a insegurança por não saber o que o outro quer. 

O jogo tanto pode desafiar quanto cansar o outro. Qualquer que seja sua consequência ele não é uma segurança para manter um relacionamento. O outro pode se cansar, e pode não interpretar bem as regras mal elaboradas ou precipitadas em si mesmas. Por outro lado, o desafio da sedução em algumas vezes pode vir a funcionar. 

Mas cá entre nós, começar uma relação com jogos, não é a forma mais honesta, não é mesmo?

O tempo

Aquela espera que é essencial em tudo em nossa vida, mas que na maioria das vezes atropelamos com nossa ansiedade, principalmente em nossas relações.

A pressa em saber se o outro quer relacionamento sério ou não, a pressa da conquista ou a ansiedade da paixão que não respeita o tempo é, sem dúvida, um veneno a qualquer relacionamento. Movido por decepções antigas ou pelo imediatismo que vivemos em nossa sociedade, não sabemos respeitar o tempo nosso, o tempo para descobrir e compreender os nossos sentimentos, tal como o do outro, e assim perceber que relação se está plantando.

Atropelar o tempo, antecipar e buscar certezas da conquista não adianta nada, pelo contrário, findará qualquer coisa que esteja a começar.

Não há receita, mas temos exemplos dos quais podemos tirar nossas lições. Compre um vaso, jogue a semente e cuide: dê água, boa terra e coloque-a onde tenha luz. Por mais que desejemos, só em seu tempo a planta virá e florescerá. O início, portanto, requer entrega e cuidado, entretanto, sem certeza nenhuma de que os frutos serão bons.


O espaço

A distância é fundamental em qualquer relação, inclusive a nossa pessoal. É preciso tomar distância do que pensamos e desejamos; pois nem sempre estamos tendo a clareza dos fatos para uma escolha serena e sábia. 

Espaço e tempo andam de mãos dadas; se não respeita um, não poderá respeitar o outro. Nenhum relacionamento sobrevive, ou sobrevive bem, se não houver respeito ao espaço e tempo dos envolvidos.

Uma relação onde já começa sufocando o outro, exigindo e colocando responsabilidades no outro é como deitar um copo numa vela acesa: o fogo apaga.

O outro não é responsável por nossas decepções, por nossas ansiedades e medos. O outro não está ali para completar o que nos falta: não ponha sobre o outro a responsabilidade que é tua. 

Deixe que o outro seja ele mesmo e descubra por si só se ele/ela está suficientemente envolvido para continuar a relação ou não. Dê o tempo, mas não se esqueça de também dar o espaço suficiente. 

Espaço suficiente: nem pouco, que o outro não tenha espaço para se manifestar; nem muito, que o outro não saiba se será acolhido em sua entrega.

Qual medida?

Não há receita, o certo é que espaço de mais dá abertura pra jogos que ignoram o tempo. Espaço de menos sufoca, atropela o tempo. 

No fim, parece que tudo é uma questão de jogar: jogar um jogo em qual somos lançados. As regras não são nossas, elas vão se construindo no respeito de cada movimento do outro e nosso.

A medida é amar sem impor ao outro aquilo que é nosso.

Entre numa relação com se estivesse cultivando um jardim, não se começa colhendo, mas doando, cuidando. E não espere que o que está sendo cultivado tenha obrigação de ser belo. Há outros fatores que contam numa jardinagem: a luminosidade, a quantia de água, a fertilidade da terra. Tudo isso colocam o jardineiro e a planta como atores vulneráveis da colheita.





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