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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Se viver não é ter, como posso ser?



Ele era muito rico, um cantor famoso que conquistou mundo inteiro com sua performance e talento. Seguido por multidões e jornalistas do mundo inteiro, sentia-se preso.

Ela era muito pobre, uma órfã abandonada às ruas da capital, vivia esquecida e invisível por todos. Dormindo ao relento, caminhando pelo mundo, setia-se presa.

Estas duas pessoas tinha algo em comum, a falta de vida, mas por motivos diferentes, enquanto um tinha muito a outra não tinha nada.

À primeira vista, principalmente aos olhos de todos nós, filhos da sociedade do consumo e regulados por padrões de comportamento, a vida do primeiro é mais fácil, os problemas são incomparáveis ao da segunda pessoa.
Porque também acreditamos que a felicidade está no ter.
Ainda que pensemos o contrário, também não poderíamos afirmar que os problemas da segunda pessoa são mais resolvíveis. À parte todos questões relacionadas à situação de um e do outro, ambos morrem de vida, ou da morte em vida.

O primeiro, embora tenha o dinheiro para ir onde quiser, comprar o que quiser, não pode viver como quer, há quem o fotografe, exponha, critique, há quem o define.. Seu tempo, suas escolhas, sua intimidade é limitada, definhada a cada click, a cada revista estampada, a cada "multidão" de autógrafos. Talvez ele quisesse fazer coisas normais, simples, bobas, fúteis, talvez ele quesse viver...

Ela, possivelmente, queria espaço que fosse o seu, um dinheiro que não fosse o do pão, uma roupa que não fosse para o frio, ela queria poder escolher.

A angústia de ambos não é por mais ou menos dinheiro, é por vida. É por fazer as coisas que eles mesmo possam avaliar, possam pensar...eles querem a vida, a vida prometida no nascimento.

Há quem diga que ele pode deixar tudo, mas para o público o astro será sempre um astro, para a mídia seus passos podem ser sempre o sensacionalismo do dia..
E se ela conseguisse um trabalho, conseguisse uma casa, conseguisse o que queria...

Às vezes a questão não passa em conseguir algo ou deixar de ter, o que eles querem é viver.
Viver a liberdade de escolher, de ter possibilidade de escolher...viver é isso, escolher todo dia..
Quando as escolhas acabam, quando as dúvidas são seladas por respostas formatadas, não há vida, não há movimento, não há alegria...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Entre ser discreto e direto: capacidade rara de conciliar

Aprecio pessoas diretas, que não têm medo de dizer o que pensam sobre determinado assunto, que não fazem volta pra dizer "não", que não se escondem em ironias que visam 'alfinetar' os outros e depois se esconder-se no "interpretem como quiser". Ser direto não significa, aqui pelo menos, em ser arrogante e intolerante às opiniões alheias, aliás, pessoas diretas em geral não têm medo de se expressar exatamente porque não tem medo de discutir, assim ouvir a opinião alheia lhe é sempre uma possibilidade rica de discussão e aprendizagem.

Aprecio as pessoas discretas, que não sentem a necessidade de exporem suas vidas pessoais nas redes sociais. Que não se revelam numa primeira conversa  e nem enchem o/a outro/a de perguntas curiosas e pessoais, caso o/a outro/a não lhe tenha dado tal liberdade.
Que não 'lavam roupa' suja em público (virtual ou real). Ser discreto, em minha compreensão, não significa ser fechado e antipático para evitar que pessoas desconhecidas lhe aproximem. Ou ficar criticando pessoas que gostam de partilhar suas experiências, fotos e pensamentos nas redes sociais ou numa primeira conversa de bar. Quem é discreto (no sentido aqui apreciado), o é  por questão de um sentido pessoal, não por repressão, pelo que não sentem necessidade de diminuir  ou ofender aqueles que levam uma vida mais 'aberta'.

Há muitas pessoas diretas, igualmente discretas. Mas a capacidade de harmonizar estes dois atributos é para poucos. Ser discreto não significa necessariamente ser direto e vice-versa.

As pessoas diretas, em geral, têm uma tendência para serem indiscretas. Já as discretas, por receio de terem suas vidas supostamente invadidas evitam ser diretas.

Conciliar a discrição e a qualidade de ser direto é uma arte da relação. E como tal requer grande habilidade e manejo do artista, requer correções, paciência, técnica e muita sensibilidade. Mas requer acima de tudo e ao fim de tudo:

uma vida rara, uma obra viva!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ansiedade como enfrentá-la?

Bom, não pretendo ficar aqui explicando o que é ansiedade, porque não acredito que as definições da ciência sejam capazes de descrever o seu sentido.

Se sente ansiosa/o? Você que poderá dizer do efeito e não tem nada que comparar com sintomas de outrem, deixemos isso aos médicos especialistas que precisam ou só sabem medicá-las. O papo hoje é: como se sente, o que faz quando se sente ansiosa/o e em que te  sente prejudicado?

Reconhecer os medos e as preocupações que lhe causaram esta sensação, é já um bom início. Aceitá-las também. Vivemos em uma sociedade 'normatizada', reguladora de comportamento que exclui as pessoas que ela mesma adoeceu, e ainda as exige um padrão. As redes sociais reforçam esta imagem, do belo, do sucesso, do sadio e da felicidade.

Precisamo aprender a ser menos exigente conosco...E a aceitar o sentimento sereno, mas o confuso também.

Aceitar nossa humanidade.

Apenas assim, integrados com nossa essência, é que seremos capaz de superarmos e transcedermos a muito dos desencadeadores do nosso sofrimento. Isto não significa que não iremos sofrer mais, ou não nos sentiremos mais ansiosos. Pois a vida, que é busca de sentido, só se finda no leito de morte. Portanto, não devíamos freá-la na repetição e, principalmente, na negação do confronto pessoal. Podemos e devemos continuar, superando-nos, aprendendo e buscando.

E comecemos a buscar por/em nós mesmos!


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Devemos nos afastar das pessoas que nos fazem mal ?

Desde criança eu soube diferenciar as pessoas que me queriam bem das que me colocavam em perigo. 

E me afastei dessas. Fui crescendo e a cada situação ou pessoa que me fazia mal eu me afastava.

Fui me afastando de tudo que me fazia mal, no real ou na fantasia. Descobri, porém, que estava a me afastar demais. Percebi que havia caminhado tanto e tão longe que resolvi me observar. 

Afastar não era só defesa, era fuga. Fugia de pessoas, situações e problemas. Era verdade que ao fugir eu não estava mais em iminente perigo. Mas também deixava de estar com pessoas e ambientes que eu reconhecia. 

Fui percebendo, então, que fugi demais, fugi tanto que afastei daquilo que me podia fazer o melhor. 
Pois, fugi de mim mesma. 

Eu era sempre uma estrangeira, estava sempre a recomeçar, sempre mais criteriosa, mais desconfiada e mais medrosa. Sim, porque fugir era também medo, medo de enfrentar.

Quando percebi que estava longe de mim, que não me reconhecia e que minhas pernas doloridas, minha mente cansada já não mais suportavam o próprio desejo de me afastar, quando a fuga foi longa e o medo foi tanto percebi-me sozinha; longe de tudo, de todos, e tão longe de mim. 
Decidi parar. Decidi que a partir de hoje vou enfrentar as pessoas, vou enfrentar as situações, vou enfrentar a mim. Vou ter coragem de enfrentar meu medo e meu instinto de fuga.


E não esperei a próxima segunda feira, nem o próximo ano novo, comecei hoje. Com o coração batendo forte, com a voz trêmula. Ainda tenho medo e vontade de fugir...mas estou decidida, estou a lutar...

sábado, 28 de setembro de 2013

Acreditar ou não acreditar em Deus?

Devo lhes dizer que este é um post polêmico e, com muito cuidado para não ferir a crença de nenhum leitor, embora desagradar nem sempre é possível evitar.

Há pessoas que dizem que não acreditam em Deus. E descrevem vários motivos para isso. Momentos duros e difícieis que vivenciaram lhes roubaram ou acetuaram a (não) crença em Deus. Outros se justificam por questões filosóficas e teóricas.

Há, no entanto, aqueles que acreditam e outros que acreditam exageradamente na presença de Deus. Os motivos também são vários. Vai da simples catequese  à supostos milagres que receberam. Algumas destas pessoas vivem a fé de forma natural, interna e transmitem-na em gestos simples e concretos de amor ao próximo. Outros, por vezes, acreditam que a pregação ou a evangelização é o (único) caminho.

Estava eu a andar na rua quando duas senhoras se aproximaram e me pediram um pouco do meu tempo para evangelizar. Quis ser educada com as mesmas e escutei atentamente. Foi um pouco assustador, elas começaram a falar do diabo, eu perguntei se não poderíamos falar de Deus, ao que elas justificaram que o Diabo estava querendo que eu não falasse sobre ele. Pronto, perdi a paciência!

Naquele momento apareceu um senhor mal vestido, sujo e com mal cheiro ele pedia dinheiro e comida. Observei a situação. As senhoras rispidamente mandaram ele sair, ir para outro lugar, fingiram que ele não estava alí. Eu realmente não tinha dinheiro para dar aquele pobre senhor. Talvez, se eu tivesse dado lhe algo teria "evangelizado" aquelas distintas senhoras.

Com tudo isso, acho que o importante não é se acreditamos ou não em Deus mas como estamos nos colocando perante as outras pessoas e perante nós mesmos.

Há quem acredita tanto, que se julga no direito de julgar. Estabelem normas e padrões sobre os quais examinam o mundo.

Sendo assim, é compreensível os que profetizam sua fé, mas também, e principalmente, àqueles que não profetizam a fé em religião alguma. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Esperança alimenta a alma que alimenta o corpo

O menino e o pé de feijão que não cresceu



Era uma vez um menino muito pobre. Percebendo que a comida em casa estava acabando e a situação cada vez mais difícil. Ele, que lia muito, resolveu também plantar um pés de feijão, para que estes crescessem até o céu e lá ele encontrasse uma galinha que bota ovos de ouro e toda essa coisa que já conhecemos.

Mas ele não saiu pra vender nenhum vaca, porque não tinha vaca pra vender. Assim, não recebeu nenhum feijão de um viajante estranho e mal intencionado. Ele pegou alguns grãos de feijão que ainda restava na prateleira da casa. Confiante que estes também podiam ser mágicos os levou e plantou no jardim da casa.

Ele tinha esperança que o feijão ia crescer bem alto, por isso, escondido da família que poderia achar seus planos uma loucura, ele ia todos os dias lá no jardim e molhava o pé de feijão. Se dedicou diariamente durante muitos meses. O feijão estava mesmo crescendo.

A mãe que viu a pequena plantação de feijão, no seu jardim, ficou feliz porque conseguiu colher o suficiente para cozinhar por uma semana sem dizer a ninguém de onde vinha.

O menino continuava aguar e quando sumiam seus feijões, talvez por mal tempo, ele plantava novos.
Seus sonhos eram grandes, eram altos. Ele iria encontrar a galinha de ovos.

E foi assim por longos anos, foi assim por toda sua vida...

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Alteridades

"Cada um sabe a dor e a alegria que traz no coração"

Não raro deparamo-nos com situações seja de gozo ou de tristeza. Perda do emprego, briga com o(a) companheiro(a); ou, olhando o lado bom, sucesso profissional, realização de um sonho, estabilidade afetiva e outros. Cada um tem sua experiência de alegria e tristeza. E os motivos são tão singulares quanto aqueles que os viveciam.

Por vezes, espera-se que aqueles que convivam conosco se empatizem e compartilhem da mesma alegria ou da mesma dor. Dizem que a tristeza é um processo solitário, talvez a alegria também o seja. Embora eu acredite que haja pessoas que realmente se deixa afetar pela experiência ( de alegria ou de tristeza) do outro, principalmente se os laços afetivos forem demasiado fortes. 

Esperar que os outros possam estar felizes assim como estamos, ou se entristeçam conosco, pode ser frustrante e, quem sabe, um pouco egoísta.

Por outro lado, fingir alegria ou mascarar um lamento nada tem de nobre. Pelo contrário, se não sentimos tocados pelos sentimentos dos outros de alguma forma, o que também é um pouco estranho, deveríamos pelo menos respeitar. 

Respeitar não é fingir alegria ou tristeza para "fazer o outro feliz". É tentar compreender na dimensão do outro, é tentar olhar a experiência com o óculos do outro . 

E, numa ou n'outra situação, seja sempre si mesmo.

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