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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Deus não é ninguém


Quem é Deus se não a representação simbólica de uma imagem que aprendemos na igreja?
Eu, há muito tempo, acreditei num Jesus milagroso, um Deus todo poderoso, porém mais justo que bom. Assim, este Deus apesar de me aceitar pecadora, exigia de mim não pecar para estar com ele. E o que é pecado se não normas interpretadas por homens (homens literalmente, as mulheres não estão incluídas) como condição para ir ao paraíso.

O paraíso, o que é? Supostamente um lugar sagrado onde vou me encontrar com Deus. Então Deus não está aqui?

Falar de Deus demanda que acreditemos em proposições, em imaterialidades, em ideias, desejos etc.. Mas de quem são, ou por quem foram propostas todas prerrogativas sobre Deus? A bíblia. Um livro escrito por homens que viveram num determinado contexto, formatados por determinados valores sociais.

Eu quis ser religiosa um dia. participei de encontros religioso de jovens, quis ser freira. Eu tava procurando Deus.

Hoje, todavia tenho cultivado em mim a minha própria representação de Deus. Não espero que seja certa, é apenas minha própria e legítima concepção que, apesar de influenciada pela igreja, passao ao largo dos domínios da mesma. Nisto, vou partilhar um pouco do que penso ser uma visita de Deus em minha vida.

Estava eu sentada com uma outra pessoa num café. Já haviámos feito os pedidos. Enquanto aguardávamos, chega um senhor estende a mão e cumprimenta-nos. Minha bolsa estava sobre a cadeira ao meu lado. O senhor olhou para ela como que precisasse ser retirada para que ele se sentasse. Eu retirei e ele sentou-se. Perguntou-me o preço do café, eu disse que seria aproximadamente 65 cêntimos. Ele reclamou, disse que o café estava caro, em outro lugar ele poderia comprar por 50. Fez-nos algumas perguntas, comentou sobre o tempo. O dono do café se aproxima e ele o pergunta o preço do café. Ao ouvir, reclama que está caro. O dono do café diz que ele só poderia se sentar ali se fosse pagar para consumir. O tal senhor continua a reclamar do preço do café, mas, a seguir à saida do dono do bar, continua a conversa conosco.

Eu estava um pouco sem graça, afinal não o conhecia. Ele comentou sobre o café que bebíamos e a comida que comíamos, nada demais. Reclamou que não lhe fora servido um café, embora ele não tivesse pedido.
Eu me levantei e pedi um café pra ele. O café chegou, ele reclamou num tom tranquilo e seguro sobre o atraso. Continuou a conversa com a gente. Falou um pouco de si. Ao terminar o café, levantou-se despediu de nós e foi-se embora. Não mencionou pagar o café, não agradeceu, mas despediu-se educadamente.

O dono do bar se aproxima e pergunta se conhecíamos o tal senhor, eu digo que não. Ele disse que se soubesse não o teria deixado sentar-se ao nosso lado. Ter-lhe-ia mandado embora. Eu argumentei que ele não incomodou, talvez não estivesse bem da cabeça, e um café não me custaria nada.

E o que isto tem a ver com o papo de Deus. Porque, para mim, Deus não vai surgir numa grande auréola com anjos e santos lhe fazendo coro. Deus, foi aquele homem desconhecido que sentou-se ao meu lado sem me conhecer, que pediu um café e conversou despreocupadamente. Não, não penso que Deus virá sempre para pedir como quem vem testar se sou boa pessoa ou não. Deus me vem através de um sorriso e um estímulo de um amigo. No silêncio, na natureza, no desconhecido, na despretensão eu encontro Deus.

Não sigo dogmas, nem pago dízimo, mas o que puder farei pelo outro quando sentir-me tocada e quando puder fazê-lo. Não sou religiosa, cultivo a religiosidade que passa pelo respeito ao próximo e a mim mesma. E posso errar, porque terei eu mesma que arcar com estas consequências. Não vivo pensando em não cometer erros, vivo pensando que posso aprender com tudo, que posso crescer e evoluir.

Mas quem sou eu pra dizer quem é Deus. Eu não sou ninguém. Mas em outros "ninguém" que também tenho encontrado Deus.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ele/Ela não me quer mais, o que fazer?

A maioria das pessoas que procuram um psicólogo o fazem por questões afetivas. E, geralmente, quando perderam ou sentem-se ameaçadas a perder a pessoa amada. As queixas são envoltas em ciúme, tristeza, falta de amor próprio, carência, ansiedade e depressão.

Na verdade, são pessoas que se perderam no meio do caminho. Que de tanto ficar em função de alguém, deixaram de viver a própria vida. E já não sabem o sentido da própria existência.

Vou ser breve neste post. O primeiro passo diante de uma situação como esta é a aceitação de si mesmo, aceitação dos sentimentos, da dor e do medo. Não é possível ignorar isso. Temos que ter coragem de enfrentar tais sentimentos e emoções que nos consomem. Olhar e aceitar. Nós podemos conviver com isso e este é nosso principal desafio. Conviver com aquilo que nos machuca sem permitir que isto tire nossa vida.

Tomar consciência de nossa vulnerabilidade, aceitar as nossas dores é o primeiro passo para conviver e superá-las. A dor é apenas uma parte de nós. Todo sentimento e emoção que vêm a nós por questões afetivas não são toda nossa dimensão de existência. Portanto, tomemos nossa vida em nossas mãos, seguimos com nossas emoções sem negá-las, aceitando-as sem alimentá-las.

E entregando ao tempo aquilo que nós não temos o controle. O tempo tratará de nos ajudar no caminho árido mas promissor que nós decidimos percorrer.


terça-feira, 3 de maio de 2016

Você é uma pessoa intuitiva?

A ciência, nos último anos, avançou de modo surpreendentemente. Mais no que se refere ao  nosso meio externo que interno. O homem em suas capacidades espirituais, mentais, anímicas e emocionais permanece envolto em mistérios e incertezas, não obstante diversos estudos em todos os sentidos.

Assim é o caso das pessoas com capacidade natural ou desenvolvidas para a intuição. Assistindo a uma série americana "Lie to me" acabei por ler alguma coisa a respeito. Na verdade, não é a primeira. Também neste blog, já falei sobre intuição com outras palavras aqui. Este tema, entretanto, tem tomado outro destaque em minha vida.

As pessoas intuitivas não, necessariamente, veem nenhuma estranheza nisso, e também nem sempre têm a certeza se de fato são intuitivas. Não há, obrigatoriamente, uma confirmação dos fatos. E, uma vez que há poucos estudos sobre isso, também não se dá muita credibilidade.

Mas as pessoas intuitivas estão aí, entre nós. Todos nós temos esta capacidade, a maioria de nós não a desenvolve. Um seleto grupo vai desenvolver naturalmente a partir da experiência e do contexto em que vivem/viveram.

Como reconhecer em nós a sensibilidade à intuição? Devemos seguí-la? Ela é algo bom? Como posso ter certeza que sou intuitivo/a?

Conheci várias pessoas que se dizem intuitivas, para isso apontaram casos mirabolantes de adivinhação sobre outrem, mas ser intuitivo nem sempre é fazer previsão do futuro, embora alguns tenham esta capacidade de perceber as energias positivas ou negativas que estão chegando. A partir da partilha de pessoas intuitivas vou enumerar aqui um conjuntos de características que, mais ou menos, fazem-se presente nas pessoas verdadeiramente intuitivas.

1. Num primeiro contato com uma pessoa reconhecem a vibração positiva ou negativa das pessoas.

Já ouviu aquela frase: "meu santo não bateu com o dele?" Pois bem, pessoas intuitivas que num primeiro contato sem nenhum fato concreto ou "real" não possuem motivo para julgar uma pessoa, são ainda capazes de perceber se alguém tem uma energia boa ou ruim. Ou seja, se são pessoas positivas, transcedentes, altruístas etc. É importante destacar que nós não nos dividimos em seres bons e ruins, somos este misto, mas o fato de erramos em algum momento de nossa vida não significa que somos ruim ou temos energia negativa. Este reconhecimento da pessoa intuitiva, ultrapassa este binário e é capaz de sentir a alma da pessoa em sua grandeza, as intenções, a capacidade de amar.
Em alguns casos, a pessoa intuitiva não consegue sentir energia das pessoas em volta, isso porque alguns de nós, raríssimos, também tem uma capacidade de ficar neutro nesta troca de energia em determinados ambientes. Conhecer a energia deste pequeno grupo leva um tempo.

2. Capacidade de detectar mentira

A série "Lie to Me" mostra profissionais e pessoas que desenvolveram naturalmente o dom de intuição de reconhecer se as pessoas estão mentindo, assim como de perceber o que estão sentindo através da análise da expressão facial. O corpo fala, há alguns estudos sobre isso. Todavia, é preciso ter cuidado com isso, não dá para pegar um livro e sair aplicando como se fosse um manual infalível. Uma pessoa realmente intuitiva não faria isso. A leitura da expressão, especialmente no caso da mentira não está apenas nas expressões faciais, assim como quem acompanha a série pode ver, os supostos profissionais também seguem os fatos. Intuir não é só premeditar, é sentir ou não sentir-se tocado. E acusar alguém de mentir com base num crença unilateral pode ser muito arriscado. Mais do que intuir a mentira é preciso também certa empatia para compreender o motivo desta.
Assim, pessoas intuitivas nem sempre vão jogar na cara de ninguém que o outro está a mentir, é possível entretanto que elas afastam-se destas pessoas até porque viver por muito tempo na mentira não atrai boas energias, consome as pessoas envolvidas.

3. Facilidade em fazer amizade com as crianças, especialmente as menores

Todos nós já ouvimos dizer que as crianças são puras e não mentem. Sabemos que isso não é tão verdade assim. Infelizmente, muitas crianças são desde cedo inseridas num contexto onde a maldade e a mentira são lhes ensinadas pelos exemplos. Contudo, as crianças, não estão com o carácter definido e por isso elas são muito mais receptivas que os adultos. Por este motivo também são mais expressivas. As pessoas intuitivas conseguem conquistar o coração das crianças porque tem uma alta capacidade de empatia. A energia entre elas circula de modo mais livre e a capacidade de amar, sem julgar e de dizer a verdade também. A pessoa intuitiva não apenas gosta de crianças, sente-se bem em interagir com elas. 

4. Conhecem bem a si mesmas

Uma pessoa intuitiva desenvolve não apenas a capacidade de conhecer o outro mas a si mesma. Conhecem o próprio corpo, por exemplo, uma pessoa intuitiva passa mal porque comeu algo que não lhe caiu bem, quando ela sente o mal estar, imediatamente, consegue reconhecer qual foi o alimento que lhe fez mal. Ela também sabe o que comer, num caso que está doente e falta-lhe apetite, isso porque ela sabe o que o corpo aceita. É normal que sejam bastante sintomáticas, pessoas sensíveis e intuitivas reagem imediatamente com o corpo diante de um fator (emocional, profissional, intelectual) que lhes causou desprazer. Na maioria das pessoas, alguns sintomas também vão aparecer, elas entretanto não saberão compreendê-los buscando o tratamento medicamentoso. Outras tantas nem se apercebem e acabam por desenvolver doenças mais sérias. 
Uma pessoa intuitiva conhece bem seu sentimento, seus pontos fortes e fracos. Óbvio que isto não as torna imune de saber lidar sabiamente com isto. Mas por conhecerem a si mesmas, elas não se afundam no oceano, mas nadam na direção ou na tentativa de encontrar o ar. 

5. São expressivas embora introspectivas

Pessoas intuitivas são muito expressivas, a verdade está no olhar das mesmas. E é tão transparente que mesmo ao encontrar pessoas não tão intuitivas estas poderão ser capazes de perceber seus verdadeiros sentimentos. Algumas são pessoas tímidas, geralmente mais silenciosas. Outras não, são pessoas criativas que se envolveram na arte e aprenderam, apesar de conviver bem com a solidão e o silêncio, a socializar e estar em grupo. Em qualquer caso, elas nunca passam despercebidas; pois mesmo no silêncio, o olhar e o sorriso revelam sua alma.

6. São amorosas e solidárias

Ser amorosa não significa ser uma pessoa melosa ou que expressa isso em palavras. As pessoas intuitivas, raramente, vão dizer que amam com as palavras. Elas sabem do limite dessas, apesar da importância. Além disso, elas podem encontrar certa dificuldade em expressar verbalmente alguns sentimentos, mas seus gestos e postura revela o amor e a caridade que caminha lado a lado com elas.
Isso não significam que sejam pessoas bobas, pelo contrário, a capacidade de intuir todas as outras coisas anterior fazem delas pessoas inteligentes o suficiente para reconhecer um articulador, manipulador que tenta se aproveitar dessa face aparentemente genuína e bondosa. Mas ser intuitivo é ser de uma dureza em situações que outros já não conseguiriam.

7. Prestam atenção nos sonhos

O sonho nunca é só um sonho para uma pessoa intuitiva. Os sonhos são para estas ferramentas importante na compreensão delas próprias e do meio que as circula. O sonho é um modo de comunicação com a alma, com o incosciente. Na psicologia é comum o tratamento através de sonhos, caso o paciente/cliente seja uma pessoa intuitiva o terapeuta de certo que aprende muito também nesta troca. Ambos sairão enriquecido, porque se um tem a técnica de interpretar o outro a intuição natural: o resultado não pode ser melhor na busca do autoconhecimento.

Há certamente outras características de uma pessoa intuitiva, Foram citadas apenas algumas delas. Você se sente uma pessoa intuitiva, o que te faz crer que você seja uma pessoa intuitiva? O que você tem feito com isso pra sua experiência e evolução própria? E como tem influenciado seu meio?
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Não somos como uma casa sem dono



Você conhece a si mesmo?

Conhecer-se a si mesmo exige que ultrapassemos as nossas expectativas sobre nós. Esperamos diariamente alcançar alguma coisa, seja um trabalho, um exame, um intercâmbio, uma promoção na carreira, um reconhecimento do/a parceiro/a, e tantas outras coisas. Acontece que mobilizados por aquilo que queremos e, às vezes, deparando com as limitações daquilo que temos ou com a realidade que vivemos, tendemos a não acreditar em nossa capacidade ou em nosso próprio sucesso e, tendencialmente, a se ver como um fracasso. E, facilmente, caímos na armadilha de comparar-nos aos outros.

Conhecer-se a si mesmo, portanto, não significa render-se às nossas expectativas. As expectativas são parte de nós, mas nelas não podem residir nosso todo. Pode, sim, residir toda nossa vontade, mas não toda nossa consciência e essência. Assim, o fato de não alcançarmos alguma meta que desejávamos não romperá com nossa própria estrutura. Porque ainda acreditamos em nós e em nossas faculdades de esperança.

É muito fácil render-se às vaidades materiais que maquiam a felicidade. Já nem refletimos sobre o sentido da vida, nem mesmo com a morte ao nosso lado, um erro que, embora saibamos,  não temos consciência.


Tomar consciência daquilo que já sabemos

A verdade é que saber, também, não implica conhecer. Afinal, todos nós sabemos quem somos, mas poucos de nós têm consciência daquilo que sabemos sobre nós. Por exemplo, tem pessoas que sabem que são muito nervosas, mas elas não conhecem seu nervosismo. O conhecimento ou a tomada de consciência significa: eu estou ciente de mim mesmo e, estou CONsciente. Consciência: estar com aquilo que sabemos. Por se tratar de uma discussão abstrata vou dar mais um exemplo.

Eu sei que tenho uma visita na minha casa. Esta visita ficará por cinco dias. Eu estou ciente disso, mas eu não estou na minha casa com minha visita. Por outro lado, eu poderia dizer que eu tenho uma visita na minha casa e estou em minha casa para receber e acolher minha visita. Agora não se trata de uma coisa que eu apenas sei, eu sei que tenho uma visita e estou com minha visita. Entendem?

Assim, voltando ao nosso exemplo do nevosismo, saber que estou nervoso/a, por exemplo, não implica em conhecer quando este nervosismo chega, como eu me comporto diante dele, como eu manejo este nervosismo e quando conheço que ele se foi. Quando uma pessoa sabe que ela é nervosa, ou ansiosa, ou sensível de mais etc., ela nem sempre tem controle de seus atos, ela apenas sabe. Quando ela sabe dos sentimento, e dispõe-se a ficar com eles em sua permanência , ela aprende a gerir tais sentimentos. Obviamente ela pode não determinar o fim dos sentimentos que não são bem vindos, mas ela pode adequar-se a eles. Então ao invés de os sentimentos indesejados a dominar, a pessoa vai assumir o controle dos mesmos.

E, tal como no exemplo da visita, ela embora possa não sentir-se à vontade na própria casa por haver uma outra pessoa, ela saberá agir de modo que possa ter um bom convívio.

E o que uma questão tem haver com a outra?

A este ponto vocês estarão se perguntando, e o que conhecer-se a si mesmo , expectativa e consciência tem haver entre si e com todos estes exemplos? Ora, a expectativa é como uma agradável ou desagradável visita que recebemos em nossa casa interior, ela estará na nossa casa, mas não significa que é da família por maior liberdade que a permitimos. Portanto, expectativa não é nossa casa interior, não é da família, embora por algum tempo possa fazer parte.  E se estamos CONscientes das nossas expectativas poderemos gerí-las de forma que ela nos cause tanto incômodo.

Se nós cremos em nossas capacidades, em nossa existência como essência seremos capaz de gerir nossas expectativas, nossos sentimentos, sem nos comparar aos outros. Porque saberemos que enquanto essência nós temos nosso processo de construção, da construção de nossa casa interior. Nosso corpo é nossa casa, nosso lar, não nos confundamos e nem queiramos ser nossas visitas.

Para finalizar, se você compreendeu este post, já não mais dirá de você mesmo: sou uma pessoa nervosa, sou uma pessoa sensível, sou uma pessoa fraca e nem mesmo sou uma pessoa feliz..
Somos uma pessoa e sentimo-nos nervosos, sensíveis, fracos, sentimo-nos feliz.. os sentimentos não nos definem, nem mesmo os bons sentimentos.. porque também podemos hospedar a tristeza e felicidade ao mesmo tempo. Logo, é isto que diremos sobre nós: sou uma pessoa que acolhe e conhece os sentimentos que hospedo.



Nana Andrade















segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Não me venha falar de Deus, se seu coração está cheio de ódio


Faça-me um favor,
não me venha falar de Deus se você só tem raiva no seu coração,
se não sabe perdoar,
nem tratar com amor as pessoas que não pensam como você,
Desculpa,
mas não gosto de hipocrisia.


domingo, 15 de novembro de 2015

Juventude e maturidade


Geralmente toda mulher que está próximo (ou passou) dos trinta anos se olha no espelho mais confiante e ao mesmo tempo mais indecisa que quando tinha 15, 18 anos.

A confiança advém do sentir-se mais bonita ou, pelo menos, na aceitação de si mesma, bem como na capacidade de direcionar seus impulsos e manias para resultados mais coerentes e produtivos.

A indecisão é o fruto da maturidade. Quando se tem 15, 18 anos o futuro parece muito distante, os riscos fazem parte e as certezas imperam. As experiências advindas dos fracassos, das decepções, das surpresas e das relações ensinam que a prudência pode ser uma aliada para uma vida mais saudável; e o tempo reforça a noção de finitude, daí que nenhuma decisão não é mais tomada como opção segura. O risco continua a fazer parte, as escolhas também; o que muda é a concepção e a gestão de tudo isso.

Portanto, conhecimento sem experiência não converge com o processo de maturidade.

Pensando nisso selecionamos 6 conselhos que uma mulher de 30 diria a si mesma aos 15.

Escute.

A cada decisão que considere importante, escute alguém mais velho de preferência duas ou três pessoas que não tenham a mesma opinião. Elas não devem decidir por você, mas podem abrir caminho para reflexão.

Você pode dizer não. 

Para fazer parte de um grupo ou para parecer "cool" muitos adolescentes e jovens cometem atos que os façam parecer mais descolados. E eles vão mesmo acreditar que serão. Terão vergonha se seu pensamento,  comportamento ou aparência não se adequam ao que outro espera.

Acredita na sua beleza. 

Não se compare a ninguém, outras pessoas irão diminuir sua beleza para engrandecer a delas próprias. Vista o que você sentir bem e peça opinião apenas de pessoas que você realmente confie. Dê a elas liberdade para opinar positiva ou negativamente, mas não tome a decisão delas como sua. Acredite, a beleza vem mesmo de um olhar sincero e cheio de brilho, de um sorriso verdadeiro, seu aspecto físico pode ser realçado por um profissional, sua beleza interior não.

Faça algum trabalho voluntário ou caridade. 

Um trabalho voluntário vai te tirar do seu centro, colocar-se no lugar dos outros e ajudá-los é uma escola de humanidade. E acredite, se você não aprendeu isto é provável que chegue à maturidade mais infantil infeliz que era aos seus rebeldes e incompreensíveis 15.

Liberdade tem preço.

Não, não estou a falar de consequências morais ou éticas ainda. Para ser mais realista digo uma frase que ouvi quando ainda tinha 15 anos e sempre me fez eco: se você quer liberdade tem pagar e ela custa caro. Portanto, arrume um trabalho. O trabalho vai proporcionar seus gastos com roupas, sapatos, viagens, mas também as tuas contas básicas. O trabalho é a parte responsável de sua liberdade. E cuidado, você será tentado a acreditar que um "baseado", o não ter hora para chegar em casa, as bebidas alcoólicas, e qualquer outra coisa alternativa é sinônimo de liberdade.

Não dê as costas a quem te ama. 

Quando somos jovens é comum termos muitos amigos ou um grupo em que somos bem vindos. A vida vai selecionando e afunilando. Você, aos trinta, vai perceber que perdeu tempo demais com gente e coisas que não valiam assim tanto a pena. E não é possível voltar atrás.

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